You're so vain, I'll bet you think this song is about you. Don't you? Don't you?


Joe Strummer @ semiose.net

O tí­tu­lo des­te post re­me­te pa­ra "You're So Vain", can­ção de Carly Si­mon da­ta­da de 1972 con­si­de­ra­da pe­la Bill­bo­ard uma das cem mai­o­res de to­dos os tem­pos, sig­ni­fi­que is­so o que sig­ni­fi­car. Foi pos­te­ri­or­men­te usa­da por gen­te co­mo Ma­rilyn Man­son em par­ce­ria com Johnny Depp, os Foo Figh­ters, ou os ine­nar­rá­veis Fas­ter Pus­si­cat e Cho­co­la­te Star­fish. Trent Rez­nor co­pia os ver­sos aci­ma a pá­gi­nas tan­tas de Star­fuc­kers, Inc. (aos 2:22), no que é pro­va­vel­men­te a sua me­lhor uti­li­za­ção. "You're so vain, I'll bet you think this song is about you. Don't you?" é uma fra­se que des­cre­ve tan­to do que é a pop e o rock em ge­ral, da sua for­ma de che­gar às mas­sas co­mo se de ca­da vez que a can­ção to­ca fos­se co­mo se to­cas­se só pa­ra nós, fa­lan­do-nos di­rec­ta­men­te, di­zen­do-nos acer­ca de nós pró­pri­os, tal co­mo os My Mor­ning Jac­ket fa­la­ram a Stan Smith.

O Zé Pe­dro, dos Xu­tos e Pon­ta­pés, mor­reu. Co­mo se­ria ine­vi­tá­vel, jor­nais, fa­ce­bo­ok e twit­ter por­tu­gue­ses es­tão ao ru­bro, mul­ti­pli­can­do-se as de­cla­ra­ções de ca­da um dos in­ter­ve­ni­en­tes, ge­ral­men­te des­cre­ven­do a sua re­la­ção com o ma­lo­gra­do ar­tis­ta. Pa­ra ser sin­ce­ro, che­guei a pen­sar que as coi­sas es­ta­vam a ser ri­dí­cu­las, tal a com­pe­ti­ção en­tre os con­vi­vas: quem o co­nhe­cia, quem co­nhe­cia co­nhe­ci­dos, quem se cru­zou com ele, quem ar­ran­jou um au­tó­gra­fo, quem foi aos con­cer­tos, mas a qual, que eu fui ao de 79, es­ta­vas lá, não es­ta­vas, en­tão pron­to, eu co­nhe­ci o Zé Pe­dro an­tes de ti, por is­so ele é mais meu do que teu e, já ago­ra, pa­ra que sai­bas, aque­la can­ção, sim, aque­la que pen­sas que era acer­ca de ti? Olha, foi es­cri­ta pa­ra mim. Mas pen­sei mal. Na ver­da­de, es­sa é a me­di­da do ar­tis­ta: não é o seu de­sa­pa­re­ci­men­to o que con­ta, mas sim a re­ac­ção do seu pú­bli­co.

"Es­ta Ci­da­de", "Quan­do Eu Mor­rer", "À Mi­nha Ma­nei­ra" e "Bar­cos Gre­gos" são as me­lho­res re­pre­sen­ta­ções da mi­nha re­la­ção com os Xu­tos e, por tal, com o Zé Pe­dro. Mas não va­le a pe­na ex­pli­car porquê. As mú­si­cas ex­pli­cam, são acer­ca de nós, pu­to. Na­da mal pa­ra quem nun­ca foi à bo­la com es­tes ti­pos.