Não à Censura pelo rebanho de Marinhos Pintos


Ganhou a Censura

Já nin­guém lê blogs, e pou­cos têm paci­ên­cia para os man­ter. Ambos têm razões váli­das para as suas esco­lhas, quase inva­ri­a­vel­men­te liga­das ao uso cons­tan­te de redes soci­ais e agre­ga­do­res de con­teú­dos. Já quase nin­guém acres­cen­ta valor ao que par­ti­lha – sha­ring is caring! sha­ring is caring! [smile] – e inte­res­sa-nos sobre­tu­do o valor que nos é atri­buí­do no ran­king da popu­la­ri­da­de mais popu­la­ru­cha deste lado da felis:cida­de. Da dis­cus­são nasce a luz, dizia alguém pro­va­vel­men­te no tempo em que se lia à luz da vela, sem ima­gi­nar que o futu­ro tra­ria nem dis­cus­são, quan­to mais luz, antes a acei­ta­ção implí­ci­ta do que nos é dita­do pen­sar. Mas diva­go…

artigo 13

Foi hoje a votos a pro­pos­ta de lei que pre­ten­de regu­lar diver­sos aspec­tos da pro­du­ção publi­ca­da na Inter­net, sendo os arti­gos 1113 os mais rele­van­tes de entre eles. Ganhou o sim. Desta forma, depois de os 700 e tal depu­ta­dos euro­peus vota­rem após ple­ná­rio, pode­re­mos vir a ver apro­va­da a Lei das Taxas” que, segun­do o Arti­go 11, sig­ni­fi­ca uma ame­a­ça para uma soci­e­da­de infor­ma­da e letra­da já que os links para notí­ci­as, o uso de títu­los, cabe­ça­lhos ou frag­men­tos de infor­ma­ção pode­rão estar sujei­tos a neces­si­da­de de licen­ça; e pode­re­mos ver apro­va­da o Arti­go 13 que trans­for­ma­rá a Inter­net numa fer­ra­men­ta de vigi­lân­cia e con­tro­le, já que os con­teú­dos serão fil­tra­dos antes da sua publi­ca­ção e eli­mi­na­dos sem con­sen­ti­men­to do autor.

artigo 13

Não estra­nho que Mari­nho Pinto, o depu­ta­do do ALDE que há pou­cos dias publi­ca­va isto, seja favo­rá­vel a esta lei. Afi­nal, sabe­mos que ele não é nem o mais pre­pa­ra­do dos depu­ta­dos para a dis­cus­são desta maté­ria (nem para fazer seja o que for na UE) e que, para além disso, tem ordens a cum­prir, ainda que a cen­su­ra que apro­va seja con­trá­ria às suas pre­o­cu­pa­ções libe­rais. Con­fu­so? Tam­bém eu. Mas estra­nho muito a quase total ausên­cia de comen­tá­ri­os dos res­tan­tes polí­ti­cos e, sobre­tu­do, o quase silên­cio dos uti­li­za­do­res da Inter­net que, apa­ren­te­men­te, vivem ainda per­di­dos entre o seu direi­to à livre troca de infor­ma­ção e os abu­sos de poder cons­tan­tes das gran­des pla­ta­for­mas de agre­ga­ção e dis­tri­bui­ção, sejam elas a Goo­gle ou o Face­bo­ok, na ver­da­de não nos inte­res­sa enquan­to forem gra­tui­tas. Não é? E la nave va.

artigo 13

Mas ainda há muito para fazer, caso não quei­ra­mos ser mais uma ove­lha no reba­nho de Mari­nhos Pin­tos. Deve­mos dizer não à cen­su­ra, a todo o custo. Sob pena de um dia ver­mos a Inter­net trans­for­mar-se num campo árido de feli­ci­da­de e opti­mis­mo, tão ao gosto chi­nês e core­a­no e, agora, euro­peu, sob pena de ver­mos a nossa expres­são con­di­ci­o­na­da e, com ela, o nosso pen­sa­men­to. Esta­mos cada vez mais perto dessa dis­to­pia, mas é ainda pos­sí­vel lutar. Então, às armas.

Ima­gens de e via: Save Your Inter­net, Qui­dos, e Julia Reda.
Arquivo: zeitgeist

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