Koko


Koko tinha um gato cha­ma­do All Ball. Se um gato e o seu nome não são rele­van­tes, já o facto de uma gori­la ter um gato como amigo não é tão cor­ren­te assim, espe­ci­al­men­te quan­do o nome do gato é esco­lhi­do pela pró­pria gori­la. Koko con­se­guiu arran­jar um nome para o gato devi­do à sua apren­di­za­gem lin­guís­ti­ca: sabia mais de mil ges­tos da Lin­gua­gem Ges­tu­al Ame­ri­ca­na, e enten­dia mais de duas mil pala­vras em Inglês cor­ren­te. Koko veio a ser repre­sen­ta­ti­va de duas coi­sas extre­ma­men­te impor­tan­tes.

A pri­mei­ra, quase óbvia, trata-se da pos­si­bi­li­da­de de comu­ni­ca­ção inter-espé­ci­es. Com efei­to, tor­nou-se claro que outros ani­mais são capa­zes de apren­der a nossa lin­gua­gem e de comu­ni­car efec­ti­va­men­te. Koko não se limi­ta­va a uma comu­ni­ca­ção bási­ca, con­se­guin­do expres­sar raci­o­cí­ni­os intei­ros de uma com­ple­xi­da­de que não jul­gá­va­mos pos­sí­vel nou­tros ani­mais, o que nos leva à segun­da coisa muito impor­tan­te que Koko repre­sen­ta­va.

Koko ver­ba­li­za­va sen­ti­men­tos, por vezes com­ple­xos, de amor ou desa­gra­do, de medo, de aviso e de perda, como se veri­fi­cou pelo luto que fez à morte dos seus ami­gos Micha­el, um gori­la, e Robin Wil­li­ams, um huma­no. Pas­sou a ser, de algu­ma forma, a repre­sen­tan­te da alma” dos ani­mais, esses mes­mos que con­ti­nu­a­mos a matar por moti­vos que nos colo­cam a nós, huma­nos, uns quan­tos degraus abai­xo deles na esca­la moral da Natu­re­za.

Koko nas­ceu Hana­bi-ko („Filha do Fogo de Arti­fí­cio”, em tra­du­ção apres­sa­da) no tão ame­ri­ca­no Dia da Inde­pen­dên­cia de 1971, e foi jun­tar-se a Micha­el em 10 de Junho deste ano, num céu que, a exis­tir, já é de todos os ani­mais. Koko mor­reu e com ela mor­reu mais um pouco da huma­ni­da­de. Resta-nos Ndume e todos os outros ani­mais, incluin­do os huma­nos. Apro­vei­te­mos.

Arquivo: zeitgeist

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