O que fazer?


O Fascismo nao se discute - destroi-se
Ima­gem Ori­gi­nal: Lia Kan­trowitz

Às vezes acho que o tempo de agir já pas­sou, que não nos resta outra via senão a da lenta espe­ra pelo ponto de não retor­no, sen­ta­dos fren­te a um lives­tre­am numa reti­na elec­tró­ni­ca qual­quer, duran­te uma pausa na nossa pró­pria sobre­vi­vên­cia.”

– digo eu, em tom de desa­ba­fo num post que mais do que desa­ba­fo não é, mas que tem moti­vos váli­dos: o fas­cis­mo regres­sou, é decla­ra­do, e se prá­ti­cas ainda mais opres­so­ras e assas­si­nas não estão ainda em vigor, é ape­nas uma ques­tão de tempo para que estas come­cem a povo­ar a nossa rea­li­da­de.

Como a mai­o­ria dos que vão andan­do mais ou menos aten­tos ao tur­bi­lhão noti­ci­o­so, e ape­sar de ter facil­men­te detec­ta­do alguns dos sinais que hoje se con­cre­ti­zam, tam­bém eu me dei­xei levar pela fé na huma­ni­da­de, nessa mesma huma­ni­da­de que tem sido capaz dos cri­mes mais hedi­on­dos, e por essa espé­cie de reac­ção fácil que é a da piada ligei­ra e do meme. Pode­mos ver agora que fazer cha­co­ta das pala­vras de Trump nada mais é do que dar-lhe poder, pode­mos ver que publi­car fotos de Orbán, de Kim ou de outros dita­do­res nada mais é do que pro­pa­gar a con­des­cen­dên­cia, con­des­cen­dên­cia essa ainda refor­ça­da pelos enfants tér­ri­bles do poli­ti­ca­men­te incor­rec­to” cuja prin­ci­pal acti­vi­da­de na vida é obter a satis­fa­ção gra­tui­ta de um smile em mais um post apo­lo­gé­ti­co do fas­cis­mo. Tem sido assim até hoje.

Mas agora fala­mos de outras coi­sas: de cam­pos de con­cen­tra­ção, de cen­sos higi­e­ni­za­do­res, de assas­sí­nio indis­cri­mi­na­do de mani­fes­tan­tes… e a lista não para aqui, está dis­po­ní­vel no feed infor­ma­ti­vo cons­tan­te a que quase todos temos aces­so. Basta um pouco de aten­ção para con­se­guir sepa­rar o trigo do joio – e isso é impor­tan­te, caso con­trá­rio con­ti­nu­a­re­mos a olhar para fogos-fátu­os no quin­tal enquan­to o incên­dio lavra nas tra­sei­ras da casa.

O Fas­cis­mo não se dis­cu­te – des­trói-se.”
Bue­na­ven­tu­ra Dur­ru­ti

Temos, por isso, de fazer algu­ma coisa. De ser acti­vos e de recor­dar do que se trata afi­nal decla­rar­mo-nos anti-fas­cis­tas, para além da oca­si­o­nal con­ver­sa de café, para além do rótu­lo na web, para além da t-shirt. É difí­cil, a maior parte de nós não está habi­tu­a­da a pen­sar nes­ses ter­mos, já que pas­sa­mos a maior parte das nos­sas vidas em demo­cra­cia e liber­da­de. É por isso que um manu­al de ins­tru­ções ini­ci­ais vem a calhar. Eu, se fosse a vocês, ia lê-lo. E depois toma­da par­ti­do – não há meio termo.

Arquivo: zeitgeist

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