A Tomada da Hungria 14.09.2018

As pre­o­cu­pa­ções com que o PCP jus­ti­fica o voto contra a ac­ti­vação do ar­tigo 7º do tra­tado eu­ropeu para pu­nição do go­verno hún­garo são le­gí­timas. Com efeito, a União Eu­ro­peia abre desta forma um ca­minho in­de­se­jável, o da sus­pensão da par­ti­ci­pação de um país no exer­cício de­mo­crá­tico, de­vido à po­lí­tica in­terna vi­gente nesse ter­ri­tório, o que se con­fi­gura, à pri­meira vista, como uma in­ge­rência na so­be­rania e no di­reito de um povo. Porque con­si­dero então que o PCP está er­rado nesta de­cisão?
Pri­mei­ra­mente, porque um país que pro­fessa o ra­cismo, a xe­no­fobia, a per­se­guição de ho­mos­se­xuais, a per­se­guição de aca­dé­micos, e o con­trole do sis­tema de jus­tiça em favor dessas po­lí­ticas, não pode ser re­pre­sen­ta­tivo de uma Eu­ropa que se quer plural, de­mo­crá­tica e in­clu­siva. Em se­gundo lugar, pa­ra­fra­se­ando Bu­e­na­ven­tura Dur­ruti, O fas­cismo não se dis­cute, des­trói-se.” – e assim sendo, porque dar o di­reito de voto dentro de uma co­mu­ni­dade aos que o con­trolam dentro de portas?

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Insónia 13.09.2018

Titan - Matosinhos
Titan – Ma­to­si­nhos”, autor des­co­nhe­cido

Movo-me numa in­sónia per­ma­nente como se con­de­nado a ar­rastar uma alma de cão can­sado por areias mo­ve­diças, sem pro­pó­sito ou des­tino. O mar, ou­trora pro­messa, olha-me ao longe, uma es­tase de chumbo co­berta por nu­vens in­di­fe­rentes. Olho as mi­nhas mãos e vejo-te. Tudo é me­mória.