O Punk é também um logótipo e fotocópia de fotocópia. Os Black Flag são disso o exemplo máximo. Pela mão de Ray Pettibon, a banda californiana de punk hardcore teve direito a um nome e um logo tornados míticos. Os flyers que o artista gráfico desenhava são ainda, sob muitos aspectos, chocantes e contribuíram de forma inequívoca para a mística dos Black Flag. Uma vez distribuídos, eram nada menos do que o aviso para o incêndio que se adivinhava na sala de concerto. As capas são icónicas e cada uma delas representa em si uma obra de arte. O logo da bandeira negra representada pelos quatro traços verticais é - segundo se afirma no vídeo - o mais tatuado no mundo. Em Black Flag: The Art of Punk ficamos a saber que o Punk, quando bem feito, é uma espécie de fanzine com banda sonora. A ver aqui ou no website da Fact Magazine.
O meu filho é um ávido consumidor de hip-hop, talvez um pouco por minha culpa, já que fui eu quem lhe apresentou os primeiros sons do género. Já eu, há muito que deixei de escutar as batidas, sempre as mesmas, e as palavras, sempre recicladas. Para mim, o hip-hop transformou-se numa espécie de evangelização sabe-se lá do quê. A minha verdade é maior do que a tua, e o meu bairro é que é. Fica rico ou morre a tentá-lo, e coisas assim. Nunca dei para esse peditório, mas o som agradou-me, em tempos. Agora, já quase não o suporto, especialmente quando cantado em português. Mas lá surgem coisas que, de vez em quando, me entusiasmam o suficiente para ir à procura de mais. É o caso dos Death Grips, banda californiana de Sacramento, que aposta numa fusão de noise, punk e outros, embebida em beats e loops tratados a fumo. Apresento-vos Guillotine, a mais aclamada de Exmilitary, o trabalho que em 2011 trouxe os Death Grips para a ribalta.