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4: Lusitana Paixão I : Shadenfreude

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What a fe­ar­ful thing is it that any lan­gua­ge should ha­ve a word ex­pres­si­ve of the ple­a­su­re whi­ch men fe­el at the ca­la­mi­ti­es of others; for the exis­ten­ce of the word be­ars tes­ti­mony to the exis­ten­ce of the thing. And yet in mo­re than one su­ch a word is found. … In the Gre­ek 'epikhai­re­ka­kia', in the Ger­man, 'Scha­den­freu­de.'
Ri­chard Che­ne­vix Tren­ch, "On the Study of Words", 1852


– Vê lá tu, es­ta­va ago­ra a es­ta­ci­o­nar ali o car­ro só pa­ra vir aqui ao ca­fé, a GNR ia a pas­sar e mul­tou-me… eu ain­da lhes dis­se que era só por cin­co mi­nu­tos, nem is­so, mas os ga­jos não per­do­a­ram, pá!
– Se eles vi­es­sem mas era ver es­sa la­dro­a­gem que an­da aí, is­so é que era…
– Pois, o que eles que­rem sei eu… mas tam­bém le­va­ram o re­ca­do!
– En­tão?…
– Pá, en­tão es­ta­va ali tan­to car­ro com a ro­da no pas­seio e os ga­jos só me mul­tam a mim? "En­tão vo­cê só me mul­ta a mim?", e o ga­jo diz-me que me es­ta­va a mul­tar pe­la fal­ta de res­pei­to. De­ve ter si­do por eles irem a pas­sar e eu não ter ido dar a vol­ta.
– A sé­rio? Gran­de la­ta! Es­tes ga­jos… e de­pois? Fi­cou as­sim?
– Na­da! Ou­ve lá, tu co­nhe­ces-me… eu dis­se-lhe que ou me per­do­a­va a mul­ta, ou ti­nha de mul­tar os car­ros to­dos. Is­to ou é igual­da­de, ou en­tão…
– Ora bem! De­via lá es­tar al­gum car­ro de um se­nhor dou­tor da câ­ma­ra. A es­ses não mul­tam eles!
– Pois! Mas olha que ele te­ve de os mul­tar a to­dos, que eu fi­quei lá a ver. Ga­ran­to-te que se fos­se só eu a ser mul­ta­do, ia fa­zer uma par­ti­ci­pa­ção do ga­jo. Já ti­nha o no­me de­le es­cri­to e tu­do… olha ele aqui. E ti­rei uma fo­to… oh… vês?
– Pá… se não for­mos nós a lu­tar pe­los nos­sos di­rei­tos, es­ses ga­jos fa­zem o que que­rem.
– En­tão não é? Ó Zé! Olha aí um mar­ti­ni com cer­ve­ja em co­po gran­de. Ago­ra, se qui­se­rem re­bo­car o car­ro que re­bo­quem… mas di­go-te: se o re­bo­ca­rem, vão ter de re­bo­car os car­ros to­dos da rua. Até que­ro ver…

(con­ver­sa re­al)