Palavra-chave: liberdade de expressão
Enquanto eles estão organizados socialmente, legalmente, mediaticamente e politicamente, nós continuamos a protestar ao sabor do tweet e do like, como se de um click, por si, pudesse resultar alguma coisa concreta.
E nós? Organizamo-nos?
Já quase tudo foi dito acerca de todos os acrónimos ameaçadores da Internet tal como a conhecemos. Já escutamos todos os argumentos a favor, todos os argumentos contra, já vimos acontecer prisões e bloqueios de websites, e temos manifestações marcadas.
Mas a verdade é que, enquanto eles estão organizados socialmente, legalmente, mediaticamente e politicamente, nós continuamos a protestar ao sabor do tweet e do like, como se de um click, por si, pudesse resultar alguma coisa concreta. A experiência diz-me o contrário e, esperando estar enganado, a correspondência click/presença nas manifestações do próximo Sábado será na ordem dos decimais. Os mais activistas estão divididos por não sei quantas associações.
Podemos dizer que temos, cá no burgo, algumas personalidades especialistas na matéria, para além das associadas: temos jornalistas, bloggers, engenheiros, juristas, sociólogos, políticos, para além de toda uma mole de utilizadores declaradamente contra o que consideram, em uníssono, um atentado à liberdade de expressão e de partilha na Internet, para além de um abuso inqualificável exercido sobre qualquer um compre um CD-R ou uma caixa de nimesulida de marca genérica.
Assim sendo, porque não se passa neste caso, o que se passa de cada vez que uma multidão de pessoas comungam os mesmos interesses? Porque não existe ainda uma associação de utilizadores em defesa da liberdade de expressão, criação e partilha, uma espécie de confederação dos grupos e indivíduos que lutam pela liberdade? Uma coisa, por assim dizer, tão organizada como a deles, mas com mais força, muito mais força...
Organizemo-nos. A indignação, só por si, não chega.
Se um website é bloqueado, o seu blog em WordPress transforma-se em proxy, mantendo esse website no ar.
RePress: plugin WordPress anti-censura
Trata-se de um plugin anti-bloqueio de websites que opera de uma forma muito simples: se um website é bloqueado, o seu blog em WordPress, transformado em proxy, oferece-lhe o caminho alternativo, mantendo esse website no ar.

O RePress está disponível em versão Alfa e não se aconselha a sua utilização em sites com informação crítica, pelo menos sem um backup em condições.
É também por estas e por outras que não consigo deixar de ser um utilizador WordPress, não esquecendo que, para além de SOPA’s, PIPA’s e ACTA’a, existem MAPINET’s.
Pode, por favor, explicar-me de que forma é que o Adolfo é «gravemente prejudicado» por eu não pagar uma taxa extra cada vez que compro tecnologia? Pode, por favor, explicar-me de que forma é que o prejudiquei quando usufrui o seu album «Latrina», gravando-o para cassette para o ouvir e ouvir e ouvir, e espalhei aos quatro ventos «vocês têm de comprar este album!»? — Marcos Marado
E assim passa o tempo e com ele a nova gente
é preciso é estilo! não cansamos de dizer num verniz de desdém que nos dá muito prazer.
assumindo o deboche cada vez mais descarado, insurrectos em graça adorando o acto ousado,
somos fãs da desbunda do deleite permanente e assim passa o tempo e com ele nova gente.
Adolfo Luxúria Canibal, Mão Morta, Estilo
Imagem: Billy-News
Esta fileira de artistas, este pelotão da justiça contributiva, apoia uma lei que vai além do ‘Minority Report’: esta é uma lei que, a aplicar-se, não só pune o crime antes dele acontecer, como julga todos os compradores de qualquer um dos suportes de armazenagem, gravação ou reprodução, por igual. Como diria Sérgio Godinho em ‘O Fugitivo’, «inocentes são os culpados de outros crimes».
Eles são mais de cem
Informa-nos a SPA da existência de mais de uma centena de artistas pedintes de uma revisão urgente da Lei da Cópia Privada, num abaixo-assinado crescente.
Estive a ler os nomes que se alinham e devo confessar que, de todos eles, recordo apenas uma meia dúzia. Passe a minha óbvia ignorância artística, já que não reconheço a larga maioria do plantel, ‘recordo’ é a palavra adequada para o reconhecimento que faço dessa meia dúzia e, ao recordar, recordo também que são pessoas que não me parecem estar mal na vida e não se terem dado mal com o uso desenfreado de cópias das suas criações.
Suponho que isso seja sintomático de, no mínimo, serem os signatários pessoas que ainda não aprenderam a conviver num ambiente aberto, em que a qualidade de um trabalho significa a sua cópia e redistribuição (e que essa cópia e redistribuição, paradoxalmente ou nem tanto, originam apresentações, vendas, exposições, espectáculos).
Everything is a Remix Part 1 de Kirby Ferguson no Vimeo:
Mas o mais perturbante da coisa é o facto de esta fileira de artistas, este pelotão da justiça contributiva, apoiar uma lei que vai além do ‘Minority Report’: esta é uma lei que, a aplicar-se, não só pune o crime antes dele acontecer, como julga todos os compradores de qualquer um dos suportes de armazenagem, gravação ou reprodução, por igual. Como diria Sérgio Godinho em ‘O Fugitivo’, «inocentes são os culpados de outros crimes».
Não se julgue que eu penso que, só porque alguém é artista, seja automaticamente uma pessoa culta e democrata. Antes pelo contrário, e nem sequer penso que tenham grandes responsabilidades nesses assuntos. Vistas bem as coisas, estes cem — a crescer — parecem contentar-se com uma espécie de ordenadozito suplementar à custa de qualquer um que compre uma impressora ou um CD-R, já que a sua arte e cultura não rende assim tanto. A democracia, essa, nunca rendeu.
RECORRÊNCIAS
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