Palavra-chave: cultura

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Sábado anti-​ACTA

EUROPE VS ACTA @ Sábado anti ACTA

Coim­bra Lisboa Porto Viseu
Sábado, 11.Fev.201211:00 horas

10. Fevereiro 2012 , por Carlos José Teixeira
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Enquanto eles estão orga­ni­za­dos soci­al­mente, legal­mente, medi­a­ti­ca­mente e poli­ti­ca­mente, nós conti­nu­a­mos a protes­tar ao sabor do tweet e do like, como se de um click, por si, pudesse resul­tar alguma coisa concreta.


Nota

E nós? Organizamo-​nos?

Já quase tudo foi dito acerca de todos os acró­ni­mos amea­ça­do­res da Inter­net tal como a conhe­ce­mos. Já escu­ta­mos todos os argu­men­tos a favor, todos os argu­men­tos contra, já vimos acon­te­cer prisões e bloqueios de websi­tes, e temos mani­fes­ta­ções marcadas.

Mas a verdade é que, enquanto eles estão orga­ni­za­dos soci­al­mente, legal­mente, medi­a­ti­ca­mente e poli­ti­ca­mente, nós conti­nu­a­mos a protes­tar ao sabor do tweet e do like, como se de um click, por si, pudesse resul­tar alguma coisa concreta. A expe­ri­ên­cia diz-​me o contrá­rio e, espe­rando estar enga­nado, a corres­pon­dên­cia click/​presença nas mani­fes­ta­ções do próximo Sábado será na ordem dos deci­mais. Os mais acti­vis­tas estão divi­di­dos por não sei quan­tas associações.

Pode­mos dizer que temos, cá no burgo, algu­mas perso­na­li­da­des espe­ci­a­lis­tas na maté­ria, para além das asso­ci­a­das: temos jorna­lis­tas, blog­gers, enge­nhei­ros, juris­tas, soció­lo­gos, polí­ti­cos, para além de toda uma mole de utili­za­do­res decla­ra­da­mente contra o que consi­de­ram, em unís­sono, um aten­tado à liber­dade de expres­são e de parti­lha na Inter­net, para além de um abuso inqua­li­fi­cá­vel exer­cido sobre qual­quer um compre um CD-​R ou uma caixa de nime­su­lida de marca gené­rica.
Assim sendo, porque não se passa neste caso, o que se passa de cada vez que uma multi­dão de pessoas comun­gam os mesmos inte­res­ses? Porque não existe ainda uma asso­ci­a­ção de utili­za­do­res em defesa da liber­dade de expres­são, cria­ção e parti­lha, uma espé­cie de confe­de­ra­ção dos grupos e indi­ví­duos que lutam pela liber­dade? Uma coisa, por assim dizer, tão orga­ni­zada como a deles, mas com mais força, muito mais força...

Acta infographics @ E nós? Organizamo nos?

Clique para aumen­tar ACTA — a Lethal Weapon Against You Rights @ La Quadra­ture du Net

Organizemo-​nos. A indig­na­ção, só por si, não chega.

08. Fevereiro 2012 , por Carlos José Teixeira
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A inter­net é peri­gosa para o igno­rante porque não filtra nada para ele.
A longo prazo, o resul­tado peda­gó­gico será dramá­tico. Vere­mos multi­dões de igno­ran­tes usando a inter­net para as mais vari­a­das boba­gens: jogos, bate-​papos e busca de notí­cias irre­le­van­tes.
Seria preciso criar uma teoria da filtra­gem. Uma disci­plina prática, base­ada na expe­ri­men­ta­ção coti­di­ana com a inter­net. — Umberto Eco

Citação

Umberto Eco: Conhecer é filtrar

ÉPOCA - O senhor tem sido um dos mais ferre­nhos defen­so­res do livro em papel. Sua tese é de que o livro não vai acabar. Mesmo assim, esta­mos assis­tindo à popu­la­ri­za­ção dos leito­res digi­tais e tablets. O livro em papel ainda tem sentido?
Eco — Sou cole­ci­o­na­dor de livros. Defendi a sobre­vi­vên­cia do livro ao lado de Jean-​Claude Carrière no volume Não contem com o fim do livro. Fize­mos isso por moti­vos esté­ti­cos e gnose­o­ló­gi­cos (rela­tivo ao conhe­ci­mento). O livro ainda é o meio ideal para apren­der. Não precisa de eletri­ci­dade, e você pode riscar à vontade. Achá­va­mos impos­sí­vel ler textos no moni­tor do compu­ta­dor. Mas isso faz dois anos. Em minha viagem pelos Esta­dos Unidos, preci­sava carre­gar 20 livros comigo, e meu braço não me ajudava. Por isso, resolvi comprar um iPad. Foi útil na ques­tão do trans­porte dos volu­mes. Come­cei a ler no apare­lho e não achei tão mau. Aliás, achei ótimo. E passei a ler no iPad, você acre­dita? Pois é. Mesmo assim, acho que os tablets e e-​books servem como auxi­li­a­res de leitura. São mais para entre­te­ni­mento que para estudo. Gosto de riscar, anotar e inter­fe­rir nas pági­nas de um livro. Isso ainda não é possí­vel fazer num tablet.

Network, de Michael Rigley no Vimeo

ÉPOCA — Apesar dessas melho­rias, o senhor ainda vê a inter­net como um perigo para o saber?
Eco — A inter­net não sele­ci­ona a infor­ma­ção. Há de tudo por lá. A Wiki­pé­dia presta um desser­viço ao inter­nauta. Outro dia publi­ca­ram fofo­cas a meu respeito, e tive de inter­vir e corri­gir os erros e absur­dos. A inter­net ainda é um mundo selva­gem e peri­goso. Tudo surge lá sem hierar­quia. A imensa quan­ti­dade de coisas que circula é pior que a falta de infor­ma­ção. O excesso de infor­ma­ção provoca a amné­sia. Infor­ma­ção demais faz mal. Quando não lembra­mos o que apren­de­mos, fica­mos pare­ci­dos com animais. Conhe­cer é cortar, é sele­ci­o­nar. Vamos tomar como exem­plo o dita­dor e líder romano Júlio César e como os histo­ri­a­do­res anti­gos trata­ram dele. Todos dizem que foi impor­tante porque alte­rou a histó­ria. Os cronis­tas roma­nos só citam sua mulher, Calpúr­nia, porque esteve ao lado de César. Nada se sabe sobre a viuvez de Calpúr­nia. Se costu­rou, dedicou-​se à educa­ção ou seja lá o que for. Hoje, na inter­net, Júlio César e Calpúr­nia têm a mesma impor­tân­cia. Ora, isso não é conhecimento.

ÉPOCA — Mas o conhe­ci­mento está se tornando cada vez mais aces­sí­vel via compu­ta­do­res e inter­net. O senhor não acha que o acesso a bancos de dados de univer­si­da­des e insti­tui­ções confiá­veis estão alte­rando nossa noção de cultura?
Eco — Sim, é verdade. Se você sabe quais os sites e bancos de dados são confiá­veis, você tem acesso ao conhe­ci­mento. Mas veja bem: você e eu somos ricos de conhe­ci­mento. Pode­mos apro­vei­tar melhor a inter­net do que aquele pobre senhor que está comprando salame na feira aí em frente. Nesse sentido, a tele­vi­são era útil para o igno­rante, porque sele­ci­o­nava a infor­ma­ção de que ele pode­ria preci­sar, ainda que infor­ma­ção idiota. A inter­net é peri­gosa para o igno­rante porque não filtra nada para ele. Ela só é boa para quem já conhece – e sabe onde está o conhe­ci­mento. A longo prazo, o resul­tado peda­gó­gico será dramá­tico. Vere­mos multi­dões de igno­ran­tes usando a inter­net para as mais vari­a­das boba­gens: jogos, bate-​papos e busca de notí­cias irrelevantes.

ÉPOCA — Há uma solu­ção para o problema do excesso de infor­ma­ção?
Eco — Seria preciso criar uma teoria da filtra­gem. Uma disci­plina prática, base­ada na expe­ri­men­ta­ção coti­di­ana com a inter­net. Fica aí uma suges­tão para as univer­si­da­des: elabo­rar uma teoria e uma ferra­menta de filtra­gem que funci­o­nem para o bem do conhe­ci­mento. Conhe­cer é filtrar.

Excerto de entre­vista à Revista Época [pt_​BR]

28. Janeiro 2012 , por Carlos José Teixeira
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Pode, por favor, explicar-​me de que forma é que o Adolfo é «grave­mente preju­di­cado» por eu não pagar uma taxa extra cada vez que compro tecno­lo­gia? Pode, por favor, explicar-​me de que forma é que o preju­di­quei quando usufrui o seu album «Latrina», gravando-​o para cassette para o ouvir e ouvir e ouvir, e espa­lhei aos quatro ventos «vocês têm de comprar este album!»? — Marcos Marado

Audio

E assim passa o tempo e com ele a nova gente

é preciso é estilo! não cansa­mos de dizer num verniz de desdém que nos dá muito prazer.
assu­mindo o debo­che cada vez mais desca­rado, insur­rec­tos em graça adorando o acto ousado,
somos fãs da desbunda do deleite perma­nente e assim passa o tempo e com ele nova gente.

Adolfo Luxú­ria Cani­bal, Mão Morta, Estilo
Imagem: Billy-​News

26. Janeiro 2012 , por Carlos José Teixeira
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Esta fileira de artis­tas, este pelo­tão da justiça contri­bu­tiva, apoia uma lei que vai além do ‘Mino­rity Report’: esta é uma lei que, a aplicar-​se, não só pune o crime antes dele acon­te­cer, como julga todos os compra­do­res de qual­quer um dos supor­tes de arma­ze­na­gem, grava­ção ou repro­du­ção, por igual. Como diria Sérgio Godi­nho em ‘O Fugi­tivo’, «inocen­tes são os culpa­dos de outros crimes».

Nota

Eles são mais de cem

Informa-​nos a SPA da exis­tên­cia de mais de uma centena de artis­tas pedin­tes de uma revi­são urgente da Lei da Cópia Privada, num abaixo-​assinado cres­cente.
Estive a ler os nomes que se alinham e devo confes­sar que, de todos eles, recordo apenas uma meia dúzia. Passe a minha óbvia igno­rân­cia artís­tica, já que não reco­nheço a larga maio­ria do plan­tel, ‘recordo’ é a pala­vra adequada para o reco­nhe­ci­mento que faço dessa meia dúzia e, ao recor­dar, recordo também que são pessoas que não me pare­cem estar mal na vida e não se terem dado mal com o uso desen­fre­ado de cópias das suas cria­ções.
Supo­nho que isso seja sinto­má­tico de, no mínimo, serem os signa­tá­rios pessoas que ainda não apren­de­ram a convi­ver num ambi­ente aberto, em que a quali­dade de um traba­lho signi­fica a sua cópia e redis­tri­bui­ção (e que essa cópia e redis­tri­bui­ção, para­do­xal­mente ou nem tanto, origi­nam apre­sen­ta­ções, vendas, expo­si­ções, espectáculos).

Everything is a Remix Part 1 de Kirby Fergu­son no Vimeo:

Mas o mais pertur­bante da coisa é o facto de esta fileira de artis­tas, este pelo­tão da justiça contri­bu­tiva, apoiar uma lei que vai além do ‘Mino­rity Report’: esta é uma lei que, a aplicar-​se, não só pune o crime antes dele acon­te­cer, como julga todos os compra­do­res de qual­quer um dos supor­tes de arma­ze­na­gem, grava­ção ou repro­du­ção, por igual. Como diria Sérgio Godi­nho em ‘O Fugi­tivo’, «inocen­tes são os culpa­dos de outros crimes».
Não se julgue que eu penso que, só porque alguém é artista, seja auto­ma­ti­ca­mente uma pessoa culta e demo­crata. Antes pelo contrá­rio, e nem sequer penso que tenham gran­des respon­sa­bi­li­da­des nesses assun­tos. Vistas bem as coisas, estes cem — a cres­cer — pare­cem contentar-​se com uma espé­cie de orde­na­do­zito suple­men­tar à custa de qual­quer um que compre uma impres­sora ou um CD-​R, já que a sua arte e cultura não rende assim tanto. A demo­cra­cia, essa, nunca rendeu.

26. Janeiro 2012 , por Carlos José Teixeira
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RECORRÊNCIAS

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