Manifesto para uma Esquerda Livre

15.Mai.2012


Uma Esquerda mais livre, Um Por­tu­gal mais igual, Uma Europa mais Fraterna.

Manifesto para uma Esquerda Livre

Esta é uma ini­ci­a­tiva polí­tica de pes­soas livres, uni­das pelos ide­ais da esquerda e pela prá­tica demo­crá­tica. Aberta a todos os cida­dãos, com ou sem par­tido. Acre­di­ta­mos que ape­nas a expres­são de uma forte von­tade cívica, por parte de cada um de nós, poderá dar a res­posta ade­quada aos pro­ble­mas do nosso tempo. … ver “Mani­festo para uma Esquerda Livre” »

Oportunidade, livre escolha e mobilidade

12.Mai.2012


O nosso pri­meiro não des­can­sou durante doze anos de desem­prego — exer­ci­tou as menin­ges, desem­pe­nhando os car­gos que lhe calha­vam, sujeitando-se ao que havia, sem­pre com o olhar empre­en­de­dor que o carac­te­riza, nunca recu­sando um job, como bom boy que é.

«Estar desem­pre­gado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Por­tu­gal, um sinal nega­tivo. Despedir-se ou ser des­pe­dido não tem de ser um estigma, tem de repre­sen­tar tam­bém uma opor­tu­ni­dade para mudar de vida, tem de repre­sen­tar uma livre esco­lha tam­bém, uma mobi­li­dade da pró­pria soci­e­dade»Pedro Pas­sos Coe­lho, primeiro-ministro da Repú­blica Portuguesa

Pedro Passos Coelho, o Empreendedor

… ver “Opor­tu­ni­dade, livre esco­lha e mobilidade” »

Primavera no Porto

8.Mai.2012


FAL­TAMDIAS

O Pedro Lima quer que a Pri­ma­vera no Porto seja feita por tod@s para tod@s, por isso con­vida toda a popu­la­ção da cidade e da região, a par­ti­ci­par na cons­tru­ção da Pri­ma­vera Glo­bal. Para o dia 12 de Maio já está pre­vista uma mani­fes­ta­ção, desde a Praça da Bata­lha até aos Ali­a­dos, mas é pre­ciso muito mais…

Organiza-te em grupo e pro­põe acções para inte­gra­rem a Pri­ma­vera no Porto, tais como: tea­tros, ocu­pa­ções, pro­gra­mas de rádio, bici­cle­ta­das, con­cer­tos, deba­tes, boi­co­tes, pin­tu­ras de rua, pane­la­das, car­ta­zes, jan­ta­res e cine­mas comu­ni­tá­rios ou qual­quer outra forma de demons­tra­ção de que já basta.. Se qui­se­res que o evento entre na pro­gra­ma­ção da Pri­ma­vera no Porto manda um mail ao Pedro Lima (maildopedrolima@gmail.com) – ele colo­cará no site toda a infor­ma­ção de forma organizada.

Entre o punho erguido e a mão invisível

1.Mai.2012


Os tem­pos que vive­mos são mais peri­go­sos do que pare­cem à vista desar­mada. São tem­pos em que se corre por comida barata, dei­xando para trás todo e qual­quer tipo de soli­da­ri­e­dade. É em tem­pos des­tes que qual­quer um de nós está mais vul­ne­rá­vel aos que lhe pro­me­tem segu­rança e esta­bi­li­dade, comida na mesa, futuro para os filhos, e jus­tiça para os prevaricadores.

Seria de espe­rar que este 1º de Maio fosse uma jor­nada de luta. Exis­tem moti­vos de sobra para que esta cele­bra­ção fosse das que, nos últi­mos anos, aco­lhesse mais par­ti­ci­pan­tes nas mani­fes­ta­ções: a aus­te­ri­dade desen­fre­ada a exi­gir medi­das que não são nada menos do que aten­ta­dos a todos os direi­tos con­quis­ta­dos, a pre­ca­ri­e­dade e o desem­prego, a pobreza que toma uma vez mais um lugar de des­ta­que no léxico carac­te­ri­za­dor do país. Nada faria ante­ver que estes mes­mos moti­vos esti­ves­sem na ori­gem da troca que tan­tos fize­ram, pre­te­rindo gri­tar bem alto as suas exi­gên­cias de mudança, punho erguido em sinal de luta, para cede­rem aos encan­tos da mão invi­sí­vel, regu­la­dora da vida eco­nó­mica des­tes nos­sos tempos.

Pirâmide de Maslow

A demis­são da mai­o­ria de um povo de toda e qual­quer acti­vi­dade demo­crá­tica tem ori­gem nas con­di­ções de vida que este vive. E é essa mesma demis­são que redunda, inva­ri­a­vel­mente, no maior dos peri­gos: a ren­di­ção aos mes­mos prin­cí­pios e aos mes­mos agen­tes que lhes ori­gi­nam tais con­di­ções de vida. … ver “Entre o punho erguido e a mão invisível” »

Foda-se, Pacheco!

28.Abr.2012


Há uns imbe­cis que dizem que falar assim é falar como o Bloco de Esquerda. Não, falar assim é falar como deve­riam falar todos aque­les que não vêem a rea­li­dade com os olhos do poder e das ideias da moda, e que se esfor­çam por per­ce­ber o sen­tido último da polí­tica em demo­cra­cia: as pes­soas só têm uma vida, e, estra­gada essa vida, não há outra.

Pacheco Revolution

«Quando ouço falar do “fes­tim do cré­dito”, quem é que é res­pon­sá­vel pelo “fes­tim”? Quem deu a festa para reco­lher lucros, ou par­ti­ci­pou nela para ter vida mais fácil? A res­posta justa é: pelo menos os dois. A injus­tiça da res­posta é que só um apa­rece como “cul­pado” do “fes­tim”, e só um lhe paga os cus­tos. E se falar­mos mesmo dos mui­tos milha­res de milhões que cons­ti­tuem a dívida naci­o­nal, que hoje é apon­tada como um fardo moral para os pobres que “vive­ram acima das suas pos­ses”, com esse plu­ral majes­tá­tico do “nós”, em “nós vive­mos acima das nos­sas pos­ses”, eles não foram cer­ta­mente para o bolso das pes­soas comuns que hoje lhes pagam o custo. Não foram os pobres, nem os fun­ci­o­ná­rios públi­cos, nem a classe média baixa que fez as PPP. O dis­curso do poder é todo feito para cul­pa­bi­li­zar os de baixo, enquanto quase pede des­culpa para mode­rar um pouco os de cima. A res­posta dos de baixo é uma rasoira popu­lista e igua­li­tá­ria, que tam­bém não pro­mete nada de bom para o futuro.

Há uns imbe­cis que dizem que falar assim é falar como o Bloco de Esquerda. Não, falar assim é falar como deve­riam falar todos aque­les que não vêem a rea­li­dade com os olhos do poder e das ideias da moda, e que se esfor­çam por per­ce­ber o sen­tido último da polí­tica em demo­cra­cia: as pes­soas só têm uma vida, e, estra­gada essa vida, não há outra. É laica a polí­tica em demo­cra­cia, vive da vida ter­res­tre não da vida celeste. E se isso não é a pul­são da polí­tica em demo­cra­cia, o bem comum e con­creto das pes­soas, então a demo­cra­cia não sobre­vive. Não tenho fei­tio para Catão, e tudo o que aqui é dito é mais que mode­rado e devia ser, se não andás­se­mos todos vira­dos para as expli­ca­ções sim­plis­tas e para os slo­gans dico­tó­mi­cos dos blo­gues, sen­sato. Aliás, a grande trai­ção do PSD, do PS e do CDS é terem dei­tado fora, ofus­ca­dos pelo poder, todas as raí­zes huma­nis­tas, soci­ais, libe­rais, e cris­tãs, do seu pen­sa­mento e, pior ainda, do seu “sentimento”.»

Pacheco Pereira, Público de hoje (link indisponível)

O Rio é quem mais ordena

26.Abr.2012


Não fode nem sai de cima.

Rui Rio, o Querido Líder

A EsColA está a ser des­man­te­lada e, desta vez, entai­pada a tijolo e cimento para evi­tar novas “ocu­pa­ções sel­va­gens”. O Que­rido Líder Rui Rio afirma-se assim deten­tor do poder abso­luto sobre a von­tade da popu­la­ção, de forma cobarde. Ontem, com um número de mani­fes­tan­tes bas­tante supe­rior ao espe­rado e sendo poli­ti­ca­mente incor­recta a uti­li­za­ção de repres­são, dis­pen­sou a actu­a­ção poli­cial. Hoje, actuou pela calada. Como se explica no Aven­tar, é caso para dizer “não fode, nem sai de cima”.

ADENDA: «Cana­li­za­ção des­truída, sani­tas e lava­tó­rios para o lixo, have­res da Es.Col.A. reti­ra­dos, mobi­li­a­rio des­truído, ins­ta­la­ção eléc­trica pro­po­si­ta­da­mente estra­gada. A Es.Col.A. está neste momento vazia e empa­re­dada. Mais um espaço público devo­luto de pes­soas e bens, como a Câmara sem­pre quis.» in “antes empa­re­dado do que ocupado”

Dentro de ti, ó Cidade

26.Abr.2012


A dife­rença entre “cele­brar” e “fes­te­jar” o 25 de Abril tem mais que se lhe diga: é o retrato da neces­si­dade de um sis­tema que agre­gue as von­ta­des dos cida­dãos, em vez das von­ta­des partidárias.

Quem tenha ontem com­pa­re­cido na Baixa do Porto para se jun­tar às come­mo­ra­ções do 25 de Abril deparou-se com a mani­fes­ta­ção de duas rea­li­da­des dis­tin­tas e, no entanto, pro­vo­ca­das pela mesma con­jun­tura. Celebrava-se o Dia da Liber­dade em dois espa­ços a meia dúzia de metros de dis­tân­cia: cá em baixo a CGTP tinha palco mon­tado e junto à Câmara esta­vam os mani­fes­tan­tes “EsColA” (desig­na­ção redu­tora, uma vez que se encon­trava muito mais gente do que a afecta ao grupo auto-gestionado), que vinham já em cor­tejo desde a Praça da Bata­lha.
Uma pri­meira dife­rença foi impos­sí­vel de pas­sar des­per­ce­bida: na mani­fes­ta­ção da CGTP cumpria-se a cele­bra­ção da efe­mé­ride, ao passo que na dos “EsColA” se fes­te­java o 25 de Abril.

A EsColA na Câmara do Porto

Aqui há uns dias, durante a recep­ção a Pas­sos Coe­lho na Uni­ver­si­dade do Porto, orga­ni­zada pela mesma gente que ontem fes­te­java e (mal) apro­vei­tada pela gente que ontem cum­pria calen­dá­rio e que lhes ocu­pou o espaço, encontrei-me com o Filinto Melo. À con­versa, che­ga­mos a algu­mas con­clu­sões: 1) a esquerda, pela sua natu­reza, encontra-se divi­dida e inca­paz de deli­near con­sen­sos estra­té­gi­cos em torno de inte­res­ses comuns, ver­da­dei­ra­mente repre­sen­ta­ti­vos dos inte­res­ses do Povo; 2) a direita é capaz des­ses con­sen­sos e tem neles sucesso, ainda que à reve­lia dos inte­res­ses do Povo; 3) é neces­sá­rio encon­trar pla­ta­for­mas de enten­di­mento à esquerda, que não colo­quem em causa os prin­cí­pios de cada um dos par­ti­dos repre­sen­ta­dos na Assem­bleia da Repú­blica; 4) duas pla­ta­for­mas pre­fe­ren­ci­ais são os sin­di­ca­tos e o poder local. … ver “Den­tro de ti, ó Cidade” »

25 de Abril: Uma Primavera Portuguesa

25.Abr.2012


Enquanto a nova Pri­ma­vera Por­tu­guesa não chega, fes­te­je­mos. Não o ani­ver­sá­rio da revo­lu­ção, não as home­na­gens e os dis­cur­sos vácuos. Fes­te­je­mos a uto­pia. E dei­xe­mos a água bor­bu­lhar com o pouco calor que ainda se faz sentir.

Viva a Liberdade! 25 de Abril de 1974

Neste tempo de outras pri­ma­ve­ras nou­tras para­gens que, outrora amor­da­ça­das, sou­be­ram sair da clau­sura a que todo um povo era sujeito, fre­quen­te­mente esque­ce­mos que, em 1974, acon­te­ceu o mesmo em Por­tu­gal.
Foi nesta data que mili­ta­res cum­pri­ram uma agenda que cul­mi­nou no apoio incon­di­ci­o­nal do povo. A ide­o­lo­gia medi­e­val que rei­nava no país era cas­tra­dora de todo e qual­quer assomo de pen­sa­mento livre e apos­tava num povo obe­di­ente às eli­tes, res­pei­ta­dor da ordem, igno­rante e explo­rado. Apos­tava ainda no futuro reser­vado aos man­ce­bos que, che­gada a hora, cum­pri­riam o dever de defen­der a pátria em pro­vín­cias do ultra­mar.
Foi uma con­ju­ga­ção de todos estes fac­to­res que ditou o sucesso do 25 de Abril, enquanto revo­lu­ção ple­na­mente apoi­ada pelas mas­sas popu­la­res. Para além dos inte­res­ses que moviam os mili­ta­res, exis­tiam inte­res­ses que cada uma das famí­lias, cada um dos homens e mulhe­res, e cada um dos jovens par­ti­lha­vam: Liber­dade, Demo­cra­cia, e Paz. … ver “25 de Abril: Uma Pri­ma­vera Portuguesa” »

Seremos protegidos dos excessos de liberdade

23.Abr.2012


Pois des­can­sem então os sau­do­sis­tas do tempo em que o mundo era a preto-e-branco, e em que o res­pei­ti­nho era bonito: cami­nha­mos a pas­sos lar­gos para ele. E não é só “pas­sos” a palavra-chave. “Povo” tam­bém a é.

Sem­pre detes­tei o lugar-comum que reza «A minha liber­dade acaba onde começa a dos outros». É pre­ci­sa­mente esse mote que jus­ti­fica uma inter­pre­ta­ção do género «A minha liber­dade acaba onde começa a segu­rança». Ben­ja­min Fran­klin diria, muito a pro­pó­sito, que «Aque­les capa­zes de abdi­car da liber­dade para obter um pouco de segu­rança tem­po­rá­ria não mere­cem nem a segu­rança, nem a liber­dade.«
O meu mote, apro­vei­tando o lugar-comum, seria então: «A minha liber­dade con­ti­nua na dos outros.»

Vem isto a pro­pó­sito dos pre­pa­ra­ti­vos das for­ças de segu­rança para as cele­bra­ções do 25 de Abril. Sabe­mos que, como em todos os anos, exis­ti­rão cele­bra­ções “ofi­ci­ais”, cele­bra­ções “auto­ri­za­das”, e cele­bra­ções “espon­tâ­neas”, um pouco por toda a parte. O único ponto comum a todas elas — mau grado o meu cep­ti­cismo em rela­ção às inten­ções das «ofi­ci­ais», dado o estado em que as coi­sas se encon­tram — é o da cele­bra­ção do golpe de estado que ofe­re­ceu nada menos que a liber­dade ao povo por­tu­guês. Pois fica­mos a saber que as mani­fes­ta­ções “não auto­ri­za­das” não serão per­mi­ti­das, e que as for­ças de segu­rança actu­a­rão em con­for­mi­dade, e com o garbo exi­gido, que tanto as carac­te­riza nes­tes últi­mos tem­pos. … ver “Sere­mos pro­te­gi­dos dos exces­sos de liberdade” »

Despejo de um Rio sem pejo

20.Abr.2012


«Mon­ta­gem de ima­gens da Es.Col.A da Fon­ti­nha no dia do lamen­tá­vel des­pejo por parte do pre­si­dente da câmara muni­ci­pal do Porto, que des­preza os inte­res­ses dos seus habi­tan­tes por estes serem mais com­pe­ten­tes que ele pró­prio, e com polí­cias que que­bram os seus jura­men­tos ao virarem-se con­tra quem deve­riam proteger…»

Os Trinta Dinheiros de Rui Rio

19.Abr.2012


Perde-se um pré­dio, a vita­li­za­ção de uma comu­ni­dade e, bem vis­tas as coi­sas, Rui Rio fica na mesma sem os trinta euros e ainda por cima fica com os encar­gos de uma ope­ra­ção repres­siva, que não devem ser nada baratos.

Escola da Fontinha, Sem Medo de Existir

Pri­mei­ra­mente, há que com­pre­en­der do que se trata o pro­jecto ES.COL.A, para que as coi­sas fiquem mais cla­ras.
ES.COL.A trata-se de um pro­jecto auto-gestionado, que assenta numa orga­ni­za­ção não-hierárquica e con­sen­sual, cujos objec­ti­vos pas­sam pela recu­pe­ra­ção de um pré­dio aban­do­nado e a inter­ven­ção social e cul­tu­ral aberta às pes­soas que moram na área da Fon­ti­nha, no Porto… ver “Os Trinta Dinhei­ros de Rui Rio” »

Alimentar a soldadesca e os servos da gleba

15.Abr.2012


Nou­tros tem­pos, o dono do cas­telo e a sua corte ati­ra­vam os res­tos para o povo que se arras­tava por entre o lixo em busca de comida. Em dias de festa, e por­que a popu­laça come­çava a recla­mar sobras, e não res­tos, o dono do cas­telo dis­tri­buía comida com pompa e cir­cuns­tân­cia, imbuído de “Res­pon­sa­bi­li­dade Social”, não fosse acon­te­cer não haver sol­da­desca e gente para a gleba.

Alimentar a soldadesca e os servos da gleba

Sob o signo da “Res­pon­sa­bi­li­dade Social”, a Assem­bleia da Repú­blica resol­veu juntar-se ao “Movi­mento Zero Des­per­dí­cio” e ofe­re­cer as sobras ali­men­ta­res do seus refei­tó­rio, res­tau­ran­tes e cafe­ta­rias «com a exclu­siva fina­li­dade de pro­ver neces­si­da­des soci­ais pre­men­tes que atin­gem gru­pos caren­ci­a­dos», con­forme explica Assun­ção Este­ves, que acres­centa que «a res­pon­sa­bi­li­dade social é um dever das ins­ti­tui­ções da soci­e­dade, públi­cas e pri­va­das, sobre­tudo num con­texto de vul­ne­ra­bi­li­dade soci­o­e­co­nó­mica»… ver “Ali­men­tar a sol­da­desca e os ser­vos da gleba” »



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