Arquivo: Opinião Pública

Impressões e opiniões acerca das mais diversas matérias: sociedade, comunicação, democracia, política, arte e cultura são os temas mais recorrentes desta diletância.

Não posso deixar de concor­dar com o seu afas­ta­mento da magis­tra­tura. E tenho pena.

Nota

Garzón: uma breve nota

Simpa­tizo com Balta­sar Garzón, e ainda mais com a sua causa — como simpa­tizo, de resto, com qual­quer luta por lei e justiça liber­ta­do­ras de um povo das garras do fascismo, do terro­rismo e da corrup­ção.
Por outro lado, não posso deixar de admi­tir que sendo verdade que o juiz orde­nou escu­tas a conver­sas entre advo­gado e cliente, origi­nando ‘confis­sões auto-​recriminatórias’, Garzón não só preva­ri­cou forte­mente, como usou recur­sos que são mais próprios dos que acusava. Assim, e repito, sendo essa a reali­dade, não posso deixar de concor­dar com o seu afas­ta­mento da magis­tra­tura.
É fácil adivi­nhar a polí­tica por detrás deste desfe­cho, assim como será mais fácil ainda protes­tar contra a deci­são, alegando tais pres­sões. Mais difí­cil será manter a objec­ti­vi­dade e pensar que os fins, por muito nobres que sejam — que o eram — não justi­fi­cam quais­quer meios.

10. Fevereiro 2012 , por Carlos José Teixeira
Arquivos: Opinião Pública | Palavras-chave: , , , | Deixe a primeira reacção →

Será que isto não passa de uma ence­na­ção?
Esta pergunta explica o post ante­rior rela­tivo ao assunto, assim como o título e a cita­ção de Shakes­pe­are. É que o marke­ting polí­tico presta-​se a estas coisas, e isso não é tão raro assim.

Nota

The play’s the thing

I’ll have grounds
More rela­tive than this—the play’s the thing
Wherein I’ll catch the cons­ci­ence of the King.

Hamlet, Acto 2, cena 2

Rela­ti­va­mente à notí­cia de aber­tura dos jornais, prota­go­ni­zada por Vítor Gaspar e Wolf­gang Schaube, fruto de um ‘apanhado’ dos repór­te­res da TVI no local, começo por estra­nhar os silên­cios dos watch­dogs habi­tu­ais. Não encon­tro nos blogs habi­tu­ais alguma refle­xão sobre a legi­ti­mi­dade deon­to­ló­gica ou sobre a ética (ou a falta desta) da peça em apreço, a não ser breves apon­ta­men­tos no Hobby: Repór­ter e no Vai e Vem (esteja à vontade para acres­cen­tar links na caixa de comen­tá­rios, se os encon­trar rela­ti­vos a este assunto). Também não ouvi ainda os pruri­dos de Lello, o homem que tão angus­ti­ado ficou por terem sido filma­das imagens dos moni­to­res na Assem­bleia da República.

Estrela Serrano explica que, embora José Alberto Carva­lho tenha expli­cado na intro­du­ção da peça que, apesar desta ter sido gravada sem o conhe­ci­mento dos dois minis­tros, a TVI optou por divulgá-​la por se tratar de infor­ma­ção rele­vante, tal expli­ca­ção não seria neces­sá­ria. Segundo Serrano, «Ora, o local estava aberto à imagem e os conver­san­tes não são cida­dãos comuns nem esta­vam em espaço privado. Mas mais impor­tante é o facto de o minis­tro alemão ter dito coisas muito rele­van­tes.«
Já eu, que não sou jorna­lista, parti­lho a dúvida do Filinto Melo, que escreve «Para ser mesmo mau, só faltava que tivesse sido filmado, temo bem, sem conhe­ci­mento dos minis­tros de que o som estava a ser gravado.»

Kareem%2520Rizk%2520www.kareemrizk.com%252008 @ The plays the thing

Esta­mos, portanto, perante a dúvida de ter sido a repor­ta­gem feita por um jorna­lista ou por um papa­razzo.
Como disse, não sou jorna­lista, nem tenho sequer o código deon­to­ló­gico à mão, pelo que este post é apenas uma opinião pessoal acerca do que consi­dero ser jorna­lismo. E, desta forma, posso dizer apenas o que faria em tal situação.

  1. A acre­di­tar em Estrela Serrano, supondo assim que os repór­te­res no local esta­riam auto­ri­za­dos a reco­lher imagens e som sem auto­ri­za­ção expressa dos inter­ve­ni­en­tes (o que acho estra­nho), após a capta­ção destas ira ter com os dois minis­tros e colocar-​lhes-​ia pergun­tas rela­ti­vas ao tema, confrontando-​os com a grava­ção. Esta atitude não só seria mais ética, como certa­mente daria uma muito melhor peça jorna­lís­tica, com a possi­bi­li­dade de apro­fun­dar o tema, logo no local.
  2. Supondo uma recusa aos comen­tá­rios, então endereçá-​la-​ia à edição, para que lá deci­dis­sem da sua publi­ca­ção ou não.

Sendo eu o chefe da redac­ção (ou lá o que é), e rece­bida a notí­cia, deci­di­ria conso­ante os minis­tros tives­sem dado a tal entre­vista ou não.

  1. Sim, deram a entre­vista, expli­cando a conversa: publicá-​la-​ia, sem recurso às imagens dos ‘apanhados’.
  2. Não, não deram a entre­vista: teria que deci­dir consi­de­rando as tais regras de funci­o­na­mento das repor­ta­gens, a deon­to­lo­gia jorna­lís­tica, e o inte­resse público da matéria.

Ou seja, não é fácil.

Mas as coisas devem ser reflec­ti­das, pois a percep­ção é o que é, e é ela que comanda a reali­dade. O que me leva à segunda ques­tão, a da fiabi­li­dade do ‘apanhado’.
A pergunta é legítima:

Será que isto não passa de uma ence­na­ção?#

Esta pergunta explica o post ante­rior rela­tivo ao assunto, assim como o título e a cita­ção de Shakes­pe­are. É que o marke­ting polí­tico presta-​se a estas coisas, e isso não é tão raro assim.
Neste caso, não me custa pensar numa espé­cie de ‘calmante’ para as massas: «Tenham calma, que se as coisas corre­rem mesmo mal, que não irão, mas se corre­rem, já temos quem nos dê a mão», ou em prepa­ra­ti­vos para o desca­la­bro, uma espé­cie de comu­ni­ca­ção de crise, que diga «Como podem ver, o governo andava já em conver­sa­ções ao mais alto nível para supe­rar quais­quer desvios no processo blá blá blá...».

Mas pode ser que não, e que Miguel Relvas, o Minis­tro da Propa­ganda, venha a terreiro conde­nar e, quem sabe, punir os papa­razzi desta aber­ra­ção. Aguardemos.

10. Fevereiro 2012 , por Carlos José Teixeira
Arquivos: Opinião Pública | Palavras-chave: , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe a primeira reacção →

Imagem

Sábado anti-​ACTA

EUROPE VS ACTA @ Sábado anti ACTA

Coim­bra Lisboa Porto Viseu
Sábado, 11.Fev.201211:00 horas

10. Fevereiro 2012 , por Carlos José Teixeira
Arquivos: Opinião Pública | Palavras-chave: , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe a primeira reacção →

Efec­ti­va­mente gosto de aparên­cia, Aparen­te­mente sem moralizar

Aparen­te­mente escuto as conver­sas, Efec­ti­va­mente sem mora­li­zar

Audio

Adoro as conversas dos outros

O noti­ciá­rio abre com as imagens e o som da conversa entre o nosso minis­tro e um dos seus patrões, que sim, que está connosco apesar dos outros fula­nos de lá do parla­mento, para­béns pá, estás a fazer um bom traba­lho, muito obri­ga­di­nho meu Senhor.

RealPolitik @ Adoro as conversas dos outros

E, sem entrar em consi­de­ra­ções acerca de éticas e deon­to­lo­gias jorna­lís­ti­cas, ou acerca da forma como as coisas são feitas nas conver­sas de coffee-​break, a única coisa que as imagens me suge­rem é uns versos dos GNR.

Efec­ti­va­mente escuto as conver­sas
Impor­tan­tes ou ambí­guas
Aparen­te­mente sem moralizar

Adoro as pêgas e os padras­tos que passam
Finjo nem repa­rar
Na atitude tão clara e tão óbvia
De quem anda a engan(t)ar

10. Fevereiro 2012 , por Carlos José Teixeira
Arquivos: Opinião Pública | Palavras-chave: , , , , , , , , , | Temos uma reacção →

Enquanto eles estão orga­ni­za­dos soci­al­mente, legal­mente, medi­a­ti­ca­mente e poli­ti­ca­mente, nós conti­nu­a­mos a protes­tar ao sabor do tweet e do like, como se de um click, por si, pudesse resul­tar alguma coisa concreta.


Nota

E nós? Organizamo-​nos?

Já quase tudo foi dito acerca de todos os acró­ni­mos amea­ça­do­res da Inter­net tal como a conhe­ce­mos. Já escu­ta­mos todos os argu­men­tos a favor, todos os argu­men­tos contra, já vimos acon­te­cer prisões e bloqueios de websi­tes, e temos mani­fes­ta­ções marcadas.

Mas a verdade é que, enquanto eles estão orga­ni­za­dos soci­al­mente, legal­mente, medi­a­ti­ca­mente e poli­ti­ca­mente, nós conti­nu­a­mos a protes­tar ao sabor do tweet e do like, como se de um click, por si, pudesse resul­tar alguma coisa concreta. A expe­ri­ên­cia diz-​me o contrá­rio e, espe­rando estar enga­nado, a corres­pon­dên­cia click/​presença nas mani­fes­ta­ções do próximo Sábado será na ordem dos deci­mais. Os mais acti­vis­tas estão divi­di­dos por não sei quan­tas associações.

Pode­mos dizer que temos, cá no burgo, algu­mas perso­na­li­da­des espe­ci­a­lis­tas na maté­ria, para além das asso­ci­a­das: temos jorna­lis­tas, blog­gers, enge­nhei­ros, juris­tas, soció­lo­gos, polí­ti­cos, para além de toda uma mole de utili­za­do­res decla­ra­da­mente contra o que consi­de­ram, em unís­sono, um aten­tado à liber­dade de expres­são e de parti­lha na Inter­net, para além de um abuso inqua­li­fi­cá­vel exer­cido sobre qual­quer um compre um CD-​R ou uma caixa de nime­su­lida de marca gené­rica.
Assim sendo, porque não se passa neste caso, o que se passa de cada vez que uma multi­dão de pessoas comun­gam os mesmos inte­res­ses? Porque não existe ainda uma asso­ci­a­ção de utili­za­do­res em defesa da liber­dade de expres­são, cria­ção e parti­lha, uma espé­cie de confe­de­ra­ção dos grupos e indi­ví­duos que lutam pela liber­dade? Uma coisa, por assim dizer, tão orga­ni­zada como a deles, mas com mais força, muito mais força...

Acta infographics @ E nós? Organizamo nos?

Clique para aumen­tar ACTA — a Lethal Weapon Against You Rights @ La Quadra­ture du Net

Organizemo-​nos. A indig­na­ção, só por si, não chega.

08. Fevereiro 2012 , por Carlos José Teixeira
Arquivos: Opinião Pública | Palavras-chave: , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe a primeira reacção →

← Anteriores



RECORRÊNCIAS

acta Adolfo Luxúria Canibal alternativa alternativa. medo amnésia ansol antena 1 anti-bloqueio António Granado António Parada arte artes plásticas avisos à navegação blog censura cidade cinema comunicação conhecimento crise cultura cópia privada David Deuchar democracia deontologia desemprego desinformação direitos de autor distribuição escuta estacionamento estrada fevereiro 11 filtro fluidez fontes fotografia gestão Gonçalo Cadilhe governança Hans holbein internet javascript Joaquim Ventura jornalismo João Barreiros juventude Kirby Ferguson Lana del Rey liberdade de expressão literatura livros Luís Marinho manifestação mapinet Marcos Marado media medicamentos Michael Rigley Miguel Relvas mobilidade morte Mão Morta música organização pedagogia Pedro Rosa Mendes Peter Gabriel pintura pipa pl118 plugins pop Raquel Freire rdp rede viária remix repress Ricardo Alexandre Rita Matos sociedade solidão sopa spa Sérgio Godinho template transporte público tráfego trânsito Umberto Eco unidade usabilidade vazio velhice via vida Vítor Gaspar Wolfgang Schaube wordpress ética