De quando Kant se depara com Jack Torrance de machado em punho a perguntar pelo seu melhor amigo. O que vale a Verdade?

Da Verdade necessária

Para juntar à citação de Javier Cercas publicada ontem por Pedro Marques Lopes, uma reflexão acerca da moralidade da verdade, contrapondo o imperativo categórico de Kant ao utilitarismo de Bentham e Mill.

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O vídeo acima, Kant’s Axe, coloca-nos na situação de atendermos à porta e nos depararmos com Jack Torrance que pergunta pelo nosso melhor amigo. Melhor dizendo, quem se depara com o protagonista de Shinning é o próprio Kant, que terá de escolher entre a verdade e a mentira. É ver e pensar.

— Video: BBC Radio 4
— Argumento de Nigel Warburton
— Narração de Harry Shearer
— Animação de Andrew Park.
Este vídeo chegou-me pela Aeon.

" Uma virtude levada ao extremo é um vício. Se uma pessoa não percebe que há coisas mais importantes que a verdade, não percebe como é importante a verdade."Ah grande Javier Cercas

Publicado por Pedro Marques Lopes em Terça-feira, 5 de Abril de 2016

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— Mais Javier Cercas numa recente entrevista ao Filinto Melo para o Porto24.

Interessa sobretudo cumprir o procedimento. É daí, dessa disciplina, que toda a perfeição nasce, e a perfeição é o almejo de qualquer mortal.

Momento Primeiro

Quando deu por si estava em frente a um diagrama de fluxo que de dentro de uma vitrine fazia o que todos os diagramas de fluxo fazem melhor, assumindo a forma de monumento à eficiência do processo ali detalhado, correndo ao longo das setas, quadrados e ocasionais círculos, testando opções, sim, não, então volta à casa de partida e resolve o problema retomando a linha ideal, a que há-de conduzir ao sobredimensionado rectângulo amarelo na base da folha A4, preenchido por um FIM a Arial Bold em negrito com sombra.

Pensou que não seria mau de todo se a vida fosse um destes processos e nos poupasse à sabotagem dos dias. Pensamento breve esse, já que por acaso até existem umas quantas analogias que podemos usar neste contexto, colocando os nossos acasos num cuidado diagrama que na sua complexidade nos afirma que se algo corre mal é porque resolvemos usar o livre arbítrio num infeliz desafio ao plano e dessa forma originando todos os males que nos possam afligir. Após décadas de trabalho em empresas multinacionais, sabia também que existe todo um mundo paralelo que corre ao nosso lado, feito em excel, powerpoint, visio e project, desenhando cada passo dado, optimizando cada movimento, tentando transformar-nos em atletas de alta competição.

De qualquer forma, seja na vida, seja na empresa, há sempre um diagrama de fluxo que nos rege a vida e, se a vemos tolhida, é porque não fomos suficientemente inteligentes para compreender a complexidade das setas, rectângulos e ocasionais círculos que nos dão as direcções. Já se a vemos ter sucesso, tal deve-se tão somente ao trabalho de todos os que pacientemente desenharam tais geometrias que nos levaram despreocupadamente ao pódio; nunca sem trabalho árduo, tantas vezes enganadoramente visto como inútil, nunca sem obediência cega às regras, nem que estas possam ser antagonistas do bom resultado final. Interessa sobretudo cumprir o procedimento. É daí, dessa disciplina, que toda a perfeição nasce, e a perfeição é o almejo de qualquer mortal.

— Imagem: Wikipédia

Asimov. Pobre Asimov.

Tay e Sophia: demasiado humanos


Tay odeia negros, judeus e nega o holocausto. Por ele, exterminava-os a todos.
Sophia tem uma solução mais elegante: exterminava a raça humana.

E o Asimov a dar voltas no túmulo.