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a vida na óptica do utilizador

Tó Zé acha que se em 2020 a UE ti­ver cerca de 24 mi­lhões de de­sem­pre­ga­dos, tudo está den­tro do es­pe­rado. E que se Por­tu­gal ti­ver cerca de 500 mil, tudo es­tará bem. E se por­ven­tura algo cor­rer mal e al­gum dos paí­ses es­ti­ver acima da taxa mé­dia de 11%, o ob­jec­tivo de Se­guro para essa data, a UE de­verá com­par­ti­ci­par o sub­sí­dio de de­sem­prego.
To Zé vai for­moso mas não se­guro, preparando-​se para o seu exer­cí­cio como pri­meiro mi­nis­tro na con­ti­nui­dade da al­ter­nân­cia democrática.

— Aceda a Se­guro quer de­sem­prego eu­ro­peu abaixo dos 11% em 2020

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OK, eu ex­plico: esta conta do Fa­ce­book veio subs­ti­tuir a an­te­rior que es­tava a ter mui­tos “pro­ble­mas”. A grande di­fe­rença en­tre esta e a an­te­rior é que quase tudo o que por aqui apa­rece é au­to­má­tico - ex­cep­tu­ando ac­tu­a­li­za­ções de es­tado, como esta, e co­men­tá­rios - e o que aqui apa­rece vai pa­rar di­rei­ti­nho ao blog semiose.net. Este per­fil não é, por isso, lá muito in­te­rac­tivo, e a mai­o­ria dos ami­gos, se­gui­do­res, com­pa­nhei­ros de luta e sim­ples iner­tes que es­ta­vam li­ga­dos an­te­ri­or­mente ainda cá não es­tão. Acon­tece que o Fa­ce­book teima em bloquear-​me pe­di­dos, por­que há gen­ti­nha que, em vez de di­zer que não lhe in­te­ressa nada o que eu digo, re­solve di­zer “não, não co­nheço este gajo de lado al­gum”, e tun­gas! lá vem blo­queio. As­sim, não há mo­ti­vos para cha­ti­ces, lá por­que eu ainda não me ami­guei con­sigo. Nem por isso, nem por nada. Ca­pice? En­tre­tanto, po­derá sem­pre amigar-​se você co­migo, que eu aceito to­dos os pe­di­dos. É para isso que o Fa­ce­book existe. Grato pela com­pre­en­são, es­pero ter con­tri­buído para o ca­bal es­cla­re­ci­mento da sua consumição.”

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Re­solvi socorrer-​me da co­luna que o João Pinto e Cas­tro es­cre­via para o Ne­gó­cios. Ra­ra­mente con­cor­dava com ele. Mas, uma coisa era certa: po­dia con­tar com a se­ri­e­dade do JPC, com fac­tos e com de­bate de ideias. Ler o João ajudava-​me a pen­sar.
Foi as­sim, pri­meiro na blo­gos­fera e, mais tarde, no twit­ter. O JPC tra­zia sem­pre ele­gân­cia. Ti­nha um gosto mu­si­cal ex­tra­or­di­ná­rio, era cul­tís­simo e dono de uma ar­ro­gân­cia ne­ces­sá­ria para es­ta­be­le­cer fronteiras.”

— Aceda a o pro­va­dor de venenos

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João Pinto e Castro @ semiose.net

João Pinto e Cas­tro mor­reu esta ma­dru­gada. A no­tí­cia abalou-​me, um pouco in­com­pre­en­si­vel­mente. A ver­dade é que não faço ideia de quem te­nha sido o João.
Este João que nunca co­nheci era mi­nha com­pa­nhia diá­ria, um dos pou­cos que me po­voam o lei­tor de fe­eds e dos pou­cos que se­guia nas re­des so­ci­ais. Li al­gu­res que "es­cre­ver é lu­tar", e foi um dos mais lú­ci­dos lu­ta­do­res que per­de­mos. É, para to­dos os efei­tos, uma enorme perda - não só para a blo­gos­fera, mas para a pro­du­ção de ideias em Por­tu­gal. Vai fa­zer falta.
Um abraço, João, e até sempre.

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A li­nha ver­me­lha com que se­re­mos en­for­ca­dos: “4,7 mil mi­lhões vão ser fei­tos em dois anos e não em três, o FMI des­mente o go­verno de Por­tu­gal e im­põe uma dose ca­va­lar - e in­sus­ten­tá­vel - de aus­te­ri­dade em cima da já exis­tente. O re­la­tó­rio do FMI é a sen­tença de morte do Es­tado so­cial, é uma or­dem de des­trui­ção da classe mé­dia, a im­plo­são do fun­ci­o­na­lismo pú­blico e um ata­que sem pre­ce­den­tes aos re­for­ma­dos do Es­tado que sus­ten­tam neste mo­mento os fi­lhos de­sem­pre­ga­dos. Tudo isto vai agra­var ainda mais os ní­veis de de­sem­prego e le­var o que resta da eco­no­mia para o poço. In­fe­liz­mente, para o FMI essa re­ces­são é bem-​vinda - por­que ajuda a equi­li­brar a ba­lança de pa­ga­men­tos. Quanto aos efei­tos co­la­te­rais, como a des­trui­ção da eco­no­mia - não só na­ci­o­nal como eu­ro­peia - e o de­sem­prego em massa são ha­bi­li­do­sa­mente es­que­ci­dos neste re­la­tó­rio.”
Quando for tarde de­mais, vi­rão con­fes­sar mais um engano.

— Aceda a Se isto não é uma li­nha vermelha

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Digo "pro­fun­dês" por­que não con­sigo en­con­trar me­lhor tra­du­ção para "De­e­pi­ties", o termo usado por Da­niel Den­net, fi­ló­sofo e cen­tista da cog­ni­ção ame­ri­cano e um dos mai­o­res pen­sa­do­res dos nos­sos tem­pos. É em "In­tui­tion Pumps and Other To­ols for Thin­king" que Den­net apre­senta o con­ceito: trata-​se nada mais do que aquele tipo de lin­gua­gem que dá para tudo e para o seu oposto, aquele tipo de ex­pres­sões "zen" que gu­rus e po­lí­ti­cos, vi­den­tes e vi­ga­ris­tas, mar­ke­tei­ros e en­ga­ta­tões usam para ma­ni­e­tar um juízo per­feito, socorrendo-​se de uma pseudo-​poesia pseudo-​filosófica. Uma es­pé­cie de ci­en­tismo, mas da linguagem.

Anda muito em voga, por aí. Tal­vez por­que hoje, como nunca, as pes­soas ne­ces­si­tem de res­pos­tas a per­gun­tas que, na vo­ra­gem da vida, se trans­for­mem em algo trans­cen­dente mas que, bem vis­tas as coi­sas, são bem sim­ples. Ou tal­vez por­que cada um de nós se sinta na obri­ga­ção de ter opi­nião so­bre tudo, mesmo so­bre aquilo que não co­nhece. Ou tal­vez ainda por­que so­mos sim­ples­mente as­sim, sim­ples, e gos­te­mos de es­cu­tar pa­la­vras que res­soam pro­fun­das e dão para to­das as oca­siões, para que não te­nha­mos que es­co­lher uma ver­dade. Sim, "o Amor é ape­nas uma pa­la­vra", e "pa­la­vra" é ape­nas uma "pa­la­vra". "O Amor não se en­con­tra no di­ci­o­ná­rio", e as­sim fi­ca­mos com uma de­e­pity bem me­tida: ver­da­deira, pro­funda, am­bí­gua e tri­vial. OK?

Acima, está o ví­deo acerca das de­e­pi­ties. Aqui está o ví­deo com­pleto, com cerca de uma hora de prazer.

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Co­nhe­cendo o Go­verno como o co­nheço, po­de­re­mos es­tar a abrir um grave pre­ce­dente: o de jul­ga­men­tos e con­de­na­ções que, à falta de di­nheiro do con­de­nado, pas­sa­rão a ser pa­gos por subs­cri­ção pú­blica - ou pior: mais um im­posto para pa­ga­mento de pe­nas, coi­mas e contra-​ordenações em contencioso…

— Aceda a So­li­da­ri­e­dade nas re­des so­ci­ais ajuda a pa­gar multa por di­fa­mar Cavaco

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Dar san­gue é dar vida”, di­zia o slo­gan de forma efi­caz. Pou­cas ver­da­des são mais ver­da­dei­ras. Já dei san­gue e ape­nas o facto de um dia ter che­gado a mi­nha vez de o re­ce­ber me im­pe­diu de con­ti­nuar a dá-​lo. Ou­tros em mi­nha casa já o re­ce­be­ram tam­bém.
Gosto de pen­sar que al­guém no mundo há-​de es­tar tão grato pelo meu san­gue como nós es­ta­mos pelo que re­ce­be­mos. Por­que dar san­gue é dar vida, re­al­mente.
E não custa nada.

— Aceda a World Blood Do­nor Day -14 JUNE

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Eis a al­tura em que penso que esta coisa dos blogs está re­al­mente muito mal en­tre­gue. Isto é só opi­na­do­res so­bre tudo e so­bre nada, es­pe­ci­al­mente so­bre coisa al­guma. En­fim, foi bo­nita a festa, pá.

— Aceda a Mar­chas Populares

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Che­ga­dos a uma loja, ou a uma ofi­cina, ou a uma se­gu­ra­dora, e sendo mal aten­di­dos após a de­mora quase per­pé­tua, pen­sa­mos “a gente desta loja/​oficina/​mediadora é ab­so­lu­ta­mente in­com­pe­tente” ou “esta pes­soa que me aten­deu não nas­ceu para isto”. Mas che­ga­dos a uma re­par­ti­ção pú­blica, e tendo os mes­mos re­sul­ta­dos, pen­sa­mos “isto de fun­ci­o­ná­rios pú­bli­cos é sem­pre a mesma coisa”.
A bom ver, os fun­ci­o­ná­rios pú­bli­cos so­frem do mesmo es­tigma que os ban­cá­rios, por exem­plo. São agen­tes do po­der quase in­to­cá­vel e que, por isso, in­ter­fe­rem quo­ti­di­a­na­mente nas nos­sas vi­das, sem apelo ou agravo que nos au­xi­lie.
Mas uns e ou­tros par­ti­lham algo com o que é já uma imensa mi­no­ria em Por­tu­gal: são tra­ba­lha­do­res. E existe uma agra­vante, no caso dos fun­ci­o­ná­rios pú­bli­cos - eles são o la­bo­ra­tó­rio do que há de che­gar ao pri­vado.
E caso não che­gue esta ar­gu­men­ta­ção, pen­se­mos por um mo­mento que to­dos eles são tão hu­ma­nos como nós, se­res su­pos­ta­mente pri­va­dos.
O ar­tigo do Pú­blico é es­cla­re­ce­dor: os cor­tes es­tão aí, e há nú­me­ros para to­das as par­ce­las. Como sem­pre, será no em­prés­timo que fa­ze­mos ao es­tado, con­fi­ando nele, que o roubo se ve­ri­fi­cará. Mas não só.
Há nú­me­ros, mui­tos. Mais dos que con­sigo en­ten­der a esta hora. E to­dos eles se jus­ti­fi­cam na di­vi­são de um Povo. “Eles”, os fun­ci­o­ná­rios pú­bli­cos, con­tra “nós”, os su­pos­ta­mente pri­va­dos.
Pri­va­dos fi­ca­re­mos to­dos. Que nin­guém pense que já ba­te­mos no fundo.

— Aceda a FMI: Cor­tes de 4700 mi­lhões até 2014

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Con­fesso: sou um cli­ente Ap­ple. Um dos mo­ti­vos que me leva a com­prar pro­du­tos da marca é o facto de não ser ne­ces­sá­rio, como em ou­tras, an­dar “em cima do acon­te­ci­mento” - em­bora grande parte dos cli­en­tes da marca o faça, tão des­ne­ces­sa­ri­a­mente - já que, por exem­plo, o meu “ve­lhi­nho” Mac­Book Pro ainda cá anda de per­feita saúde após uns bons cinco ou seis anos de ser­viço e uns quan­tos tom­bos, e o iPhone 4 da mi­nha mu­lher con­ti­nuar a cum­prir a fun­ção que lhe foi des­ti­nada. A mi­nha única de­si­lu­são foi mesmo o iPad: não gosto. Um ou­tro mo­tivo é o de­sign. Este vi­deo pro­mo­ci­o­nal en­cara o de­sign de uma forma muito apro­xi­mada ao meu ideal. Não falo, claro, do pro­cesso em si, já que não sou pro­fis­si­o­nal da área, mas sim do ob­jecto e do ob­jec­tivo de um bom de­sign. Fica link para o ví­deo e uma ex­pli­ca­ção do assunto.

— Aceda a Ap­ple: uma de­cla­ra­ção poé­tica acerca do design

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Des­mond Mor­ris, em “O Ma­caco Nu”, re­fere que o riso se trata de um dra­ma­tismo: uma in­di­ca­ção de um pe­rigo que sa­be­mos não ser real. É um acto so­cial que pre­tende que a brin­ca­deira con­ti­nue, en­vi­ando si­nais amis­to­sos, de con­fi­ança. Ao con­trá­rio do choro, si­nal de des­con­forto e pro­cura da mama da mãe, o riso é in­di­ca­dor do es­pí­rito de ex­plo­ra­ção do e de ul­tra­pas­sa­gem dos pró­prios li­mi­tes.
Os chim­pan­zés tam­bém riem, e o seu riso é uma cu­ri­osa mis­tura de medo e fe­li­ci­dade: con­traem os lá­bios para a frente (fe­li­ci­dade) ao mesmo tempo que os re­traem e mos­tram os den­tes (medo), trans­for­mando o ha­bi­tual som gu­tu­ral numa es­pé­cie de gar­ga­lhada sar­dó­nica bem co­nhe­cida, mui­tas ve­zes ta­pando a cara com a mão. Só na fase adulta o chim­panzé se torna mais sé­rio.
O ho­mem, pelo con­trá­rio, não perde a ha­bi­li­dade do riso, e prolonga-​a du­rante toda a sua vida, como im­por­tante arma so­cial que é: avisa o po­ten­cial ad­ver­sá­rio de que es­ta­mos ali para brin­car.
Como di­ria Mor­ris, “Rir é um du­plo in­sulto, por­que in­dica ao ou­tro que ele é as­sus­ta­do­ra­mente es­qui­sito e, ao mesmo tempo, que não vale a pena levá-​lo a sério.”

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So ya thought ya might like to go to the show to feel the warm th­rill of con­fu­sion, that space ca­det glow. I've got some bad news for you sunshine -- Pink isn't well he stayed back at the ho­tel and they sent us along as a sur­ro­gate band, and we're going to find out where you fans re­ally stand:
Are there any que­ers in the the­a­tre to­night? -Get 'em up against the wall.
Now that one in the spo­tlight, he don't look right to me. -Get him up against the wall.
That one lo­oks Jewish and that one's a coon. Who let all this riff raff into the room?
There's one smo­king a joint and another with spots…
If I had my way I'd have all of you shot!

Pink Floyd The Wall @ semiose.net

Run, run, run, run
You bet­ter make your face up in your fa­vou­rite dis­guise, with your but­ton down lips and your rol­ler blind eyes, with your empty smile and your hun­gry he­art feel the bile ri­sing from your guilty past. With your ner­ves in tat­ters when the coc­kleshell shat­ters and the ham­mers bat­ter down the door…
You bet­ter run
Run, run, run, run
You bet­ter run all day and run all night, and keep your dirty fe­e­lings deep in­side. And if your ta­kin' your girl­fri­end out to­night you bet­ter park the car well out of sight, 'cos if they catch you in the back seat trying to pick her locks they're gonna send you back to mother in a card­bo­ard box…
You bet­ter run

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