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Time Travel

Este blog anda farto de espaço vazio. É uma boa oportunidade, portanto… mais há para preencher.

Enquanto o vazio permanece, uma sugestão: aceder a este link e deixar rodar enquanto fazemos outra coisa qualquer. Qualquer coisa é mais importante do que estar sentado em frente a uma página da internet ou a dedilhar freneticamente um aparelho de fraca bateria.

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Urayoán Noel - Dead and taxes

The housewives laugh at what they can’t avoid:
In single file, buckling one by one
Under the weight of the late summer sun,
They drop their bags, they twitch, and are destroyed.
He hears a voice (there is a bust of Freud
Carved on the mountainside). He tucks the gun
Under his rented beard and starts to run.
(“The housewives laugh at what they can’t avoid.”)
Like She-bears fettered to a rusted moon
They crawl across the parking lot and shed
Tearblood. The office park is closing soon.
Night falls. The neighborhood buries its dead
And changes channels—Zap! Ah, the purity
Of death and taxes and Social Security.

Urayoán Noel, Death and Taxes, Kool Logic/La Lógica Kool
— Via: Jorge Carvalho, no Facebook

Clique na imagem para ver performance do autor.

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James Gordon Bennett Jr disse que “Um cão morto na Avenida do Louvre tem mais interesse que uma inundação na China”. Isto para nos explicar a proximidade como fator determinante do valor-notícia. Há cerca de dois meses atrás o mundo era todo Charlie Hebdo. Gerou-se uma onda de solidariedade onde uma massa de gente envergava orgulhosa que, naquele dia e nos dias seguintes, todos eram Charlie, todos eram liberdade de expressão, todos tinham voz. Hoje, cerca de dois meses depois, essa massa dissipou-se. Perdeu o orgulho, a liberdade de expressão e ficou rouca. Nem metade dos Charlies se fizeram ouvir com o massacre no Quénia. Foram, pelo menos, 148 mortes em favor, dizem, da religião. Foram 148 inocentes como eram os 12 do Charlie Hebdo. Os autores dos dois ataques têm até a mesma raiz, foram impulsionados pelo mesmo motor e matam, todos os dias, em nome da mesma fé. Não há absolvição plausível que perdoe os Charlies que se calaram desta vez.

– Diana Jegundo, no Público

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Ceremony - The Separation + The Understanding

Quem se lembra dos Ceremony de World Blue ou Bastard Tactics, por exemplo, poderá estranhar a audição de The Separation e de The Understanding, primeiro avanço de L-Shaped Man, uma reviravolta musical que nos leva a revisitar os Joy Division.
Mas fazem-no bem, mesmo muito bem, a deixar por terra muita da faina dos Editors ou dos Interpol. Há aqui outra espécie de garra vinda do punk, parece notar-se.
Fica o vídeo, basta clicar na imagem.

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What's on your mind?

A conversa em torno disto seria interessante. Mas este vídeo foi apenas algo irresistível de publicar como espécie de complemento ao post anterior.

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Sundays, de Mischa Rozema

O vídeo acima é uma curiosa representação de alguns pensamentos que de quando em vez me assaltam. Claro que, como Descartes fez com o que passou a resumir-se pelo célebre “Penso, logo existo”, descarto a impossibilidade da não-existência pelo simples facto de pensar. Mas com que autoridade posso eu afirmar que sou, afinal, único e real em vez da projecção de um fragmento do pensamento colectivo? Por vezes penso que tudo isto não passa de um jogo de espelhos.

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A Divina Comédia - Manoel de Oliveira

Basta clicar na imagem. Está tudo escrito.

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How To Destroy Angels

Num mundo preenchido pelos seres e objectos talvez consigamos encontrar a verdade por entre eles, no espaço vazio. Sempre há algo para preencher em vez de nos limitarmos a acrescentar. A utilidade tem de ser um caminho, não um objectivo. As coisas úteis são apenas isso, úteis, e o trabalho nada mais é do que o mais destrutivo dos passatempos. Muitas das vezes deveríamos limitar-nos a apreciar o cenário em vez de teimarmos nas soluções.

(Clicar na imagem)

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Fumo - Autor desconhecido

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
— a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

— Embaixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.

— E o poema faz-se contra o tempo e a carne.

– Herberto Helder (1930-2015), Sobre o Poema

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Máquina Semiótica

“A internet não seleciona a informação. Há de tudo por lá. A Wikipédia presta um desserviço ao internauta. Outro dia publicaram fofocas a meu respeito, e tive de intervir e corrigir os erros e absurdos. A internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula é pior que a falta de informação. O excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. Quando não lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com animais. Conhecer é cortar, é selecionar. Vamos tomar como exemplo o ditador e líder romano Júlio César e como os historiadores antigos trataram dele. Todos dizem que foi importante porque alterou a história. Os cronistas romanos só citam sua mulher, Calpúrnia, porque esteve ao lado de César. Nada se sabe sobre a viuvez de Calpúrnia. Se costurou, dedicou-se à educação ou seja lá o que for. Hoje, na internet, Júlio César e Calpúrnia têm a mesma importância. Ora, isso não é conhecimento.

Se você sabe quais os sites e bancos de dados são confiáveis, você tem acesso ao conhecimento. Mas veja bem: você e eu somos ricos de conhecimento. Podemos aproveitar melhor a internet do que aquele pobre senhor que está comprando salame na feira aí em frente. Nesse sentido, a televisão era útil para o ignorante, porque selecionava a informação de que ele poderia precisar, ainda que informação idiota. A internet é perigosa para o ignorante porque não filtra nada para ele. Ela só é boa para quem já conhece – e sabe onde está o conhecimento. A longo prazo, o resultado pedagógico será dramático. Veremos multidões de ignorantes usando a internet para as mais variadas bobagens: jogos, bate-papos e busca de notícias irrelevantes.

Seria preciso criar uma teoria da filtragem. Uma disciplina prática, baseada na experimentação cotidiana com a internet. Fica aí uma sugestão para as universidades: elaborar uma teoria e uma ferramenta de filtragem que funcionem para o bem do conhecimento. Conhecer é filtrar.”

– Umberto Eco, Revista Época Dezembro de 2011
— Imagem: Terry Gilliam, The Zero Theorem, 2014

Bem vindo ao semiose.net.

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