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a vida na óptica do utilizador

There are these two young fish swim­ming along, and they hap­pen to meet an ol­der fish swim­ming the other way, who nods at them and says, "Mor­ning, boys, how's the wa­ter?" And the two young fish swim on for a bit, and then even­tu­ally one of them lo­oks over at the other and goes, "What the hell is water?"

- via Au­rea Mediocritas

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O Bas­to­ná­rio nem se­quer pro­cura ins­ta­lar a dú­vida com re­curso a es­tu­dos so­ci­ais, psi­co­ló­gi­cos ou an­tro­po­ló­gi­cos. De­ter­mina e manda pu­bli­car que a "fa­mí­lia na­tu­ral" é o mais apro­pri­ado para as cri­an­ças e que, por tal, a lei não de­verá se­quer ser posta à con­si­de­ra­ção do país.

Re­cordo uma aula de Te­o­ria da Ar­gu­men­ta­ção na qual fo­mos con­vi­da­dos a de­ba­ter um tema frac­tu­rante: a adop­ção de cri­an­ças por ca­sais ho­mos­se­xu­ais. Di­vi­di­dos em dois gru­pos, ti­ve­mos al­gum tempo para pre­pa­rar a ar­gu­men­ta­ção e, ele­gendo um re­pre­sen­tante, de­fen­der o nosso ponto de vista. O de­sa­fio era en­gra­çado, já que as po­si­ções "con­tra" e "a fa­vor" fo­ram sor­te­a­das, ca­lhando ao meu grupo ser "con­tra". Ven­ce­ria o de­bate quem apre­sen­tasse o seu caso re­cor­rendo a uma re­tó­rica cuja ar­gu­men­ta­ção fosse mais ló­gica.

Após cerca de uma hora de de­bate o meu grupo, ad­vo­gando a proi­bi­ção da adop­ção de cri­an­ças por ca­sais ho­mos­se­xu­ais, ga­nhou a ba­ta­lha de ar­gu­men­tos. Ora, como os que me co­nhe­cem de­certo sa­bem, eu sou to­tal­mente a fa­vor da adop­ção de cri­an­ças pe­los di­tos ca­sais, as­sim como era já nessa al­tura a fa­vor do ca­sa­mento ho­mos­se­xual, di­reito que con­si­de­rava de­ver ser ga­ran­tido sem res­tri­ções e que, por es­ses dias, era ainda ob­jecto de dis­cus­são. Em de­vido tempo es­crevi um post acerca do as­sunto, ex­pli­cando como me senti após o de­bate: per­plexo e assustado.

A ver­dade é que o de­bate foi ga­nho de­vido a uma es­tra­té­gia de fundo: a nossa ar­gu­men­ta­ção, reu­nindo es­tu­dos fei­tos por po­lí­ti­cos, fi­ló­so­fos e ci­en­tis­tas so­ci­ais de am­bas as fac­ções, se­ria apre­sen­tada como uma ques­tão de fé e, por tal, não ad­mi­ti­ria muita dis­cus­são. Quando tra­ta­mos um as­sunto com essa abor­da­gem não exis­tem ar­gu­men­tos que não se­jam fa­cil­mente re­fu­ta­dos por uma qual­quer mo­ra­li­dade. Apre­sen­tar uma dú­vida a uma pes­soa ra­ci­o­nal é quase obrigá-​la a pen­sar nela e, as­sim, admiti-​la - ao passo que a ques­tão de fé se move por en­tre as som­bras dog­má­ti­cas do senso co­mum que é ha­bi­tu­al­mente im­preg­nado de pres­su­pos­tospre­con­cei­tos - a he­rança cul­tu­ral.

O que Ma­ri­nho e Pinto afirma como Bas­to­ná­rio da Or­dem dos Ad­vo­ga­dos ul­tra­passa, em muito, o sim­plismo da nossa ar­gu­men­ta­ção em tal aula. A ver­dade é que as suas afir­ma­ções raiam a bo­ça­li­dade e nem se­quer pro­cu­ram, como nós pro­cu­ra­mos, al­guma sus­ten­ta­ção mi­ni­ma­mente ci­en­tí­fica para a sua ar­gu­men­ta­ção. Na prá­tica, fala como um pa­dre: ter­mos como "esse pre­tenso di­reito co­lide fron­tal­mente com o di­reito das cri­an­ças a se­rem adop­ta­das por uma fa­mí­lia na­tu­ral", ex­pli­cando que para a Or­dem "Uma fa­mí­lia cons­ti­tuída por um pai (ho­mem) e uma mãe (mu­lher) e não com um ho­mem a fa­zer de mãe ou com uma mu­lher a fa­zer de pai." O Bas­to­ná­rio nem se­quer pro­cura ins­ta­lar a dú­vida com re­curso a es­tu­dos so­ci­ais, psi­co­ló­gi­cos ou an­tro­po­ló­gi­cos. De­ter­mina e manda pu­bli­car que a "fa­mí­lia na­tu­ral" é o mais apro­pri­ado para as cri­an­ças e que, por tal, a lei não de­verá se­quer ser posta à con­si­de­ra­ção do país.

Como de­ve­rão cal­cu­lar, es­tou com o Bloco de Es­querda: não exis­tem meios di­rei­tos. A exis­tir adop­ção por ca­sais ho­mos­se­xu­ais, esta deve ser in­te­gral, e não um re­curso. Que eu co­nheça, não existe qual­quer es­tudo sé­rio e con­sis­tente que possa cau­sar dú­vida quanto à efi­cá­cia de tal adop­ção, as­sim como não existe qual­quer ou­tro com a mesma fi­a­bi­li­dade que pro­clame a "fa­mí­lia na­tu­ral". Não existe ainda di­fe­rença de opor­tu­ni­dade de adop­ção en­tre ca­sais homo e he­te­ros­se­xu­ais, como o Bas­to­ná­rio pa­rece pen­sar. De resto, e tendo em conta a si­tu­a­ção ac­tual, em que tan­tas cri­an­ças as­pi­ram a uma fa­mí­lia que lhes dê um tecto e uma mão pro­tec­tora, pen­sar nes­tes ter­mos não faz al­gum sen­tido - as­sim como não faz sen­tido al­gum cha­mar a Or­dem dos Ad­vo­ga­dos a esta dis­cus­são: os ad­vo­ga­dos de­vem aca­tar a Lei e não con­tri­buir para a sua fei­tura. É por isso que te­mos um po­der le­gis­la­tivo as­sente na As­sem­bleia da Re­pú­blica. Quando muito, apro­vada ou não a pro­posta, Ma­ri­nho e Pinto po­de­ria ter a sua opor­tu­ni­dade de bri­lho no as­sento con­for­tá­vel do es­tú­dio de te­le­vi­são que lhe vai dando gua­rida. Bo­na­chei­rão inim­pu­tá­velTa­pado das ideias? Parvo? Re­ceio bem que Ma­ri­nho e Pinto, Bas­to­ná­rio da Or­dem dos Ad­vo­ga­dos, seja algo mais do que isso.

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O Fan­tás­tico, en­quanto pro­du­ção ci­ne­ma­to­grá­fica, é um dos mai­o­res de­sa­fios no que à pro­du­ção de ima­gem con­cerne. Se­res mi­to­ló­gi­cos, na­ves es­pa­ci­ais, ani­mais gi­gan­tes ou ci­da­des em co­lapso são, ainda hoje, si­no­nimo de mui­tas ho­ras de tra­ba­lho. A com­po­nente vi­sual é neste gé­nero da maior im­por­tân­cia, como é fá­cil de entender. Vemos fil­mes como a Guerra das Es­tre­las ou O Se­nhor dos Anéis e, sa­bendo pe­los "ma­king of", afe­ri­mos es­sas di­fi­cul­da­des vendo os téc­ni­cos que la­bo­ram em com­pu­ta­do­res dando vida às per­so­na­gens mais im­pos­sí­veis, não sendo mesmo rara a in­ven­ção de uma tec­no­lo­gia que per­mita um ainda maior re­a­lismo à cena.

Ray Harryhausen @ semiose.net

Mas nem sem­pre as coi­sas fo­ram as­sim. Tem­pos houve em que as ce­nas de tais se­res eram fil­ma­das com re­curso a bo­ne­cos que iam sendo fo­to­gra­fa­dos e, fo­to­grama a fo­to­grama, iam com­pondo os mo­vi­men­tos e a trama. Ainda hoje essa téc­nica de stop mo­tion é usada, e exis­tem ca­sos de grande su­cesso a de­mons­trar a sua be­leza. Vejam-​se, por exem­plo, "O Es­tra­nho Mundo de Jack" ou "A Noiva Ca­dá­ver" de Tim Bur­ton. Mas a stop mo­tion vem de há muito tempo, e um dos seus pi­o­nei­ros e mes­tres foi Ray Har­ryhau­sen. Di­nos­sau­ros e Go­ji­ras, es­que­le­tos lu­ta­do­res e na­ves es­pa­ci­ais, mi­no­tau­ros e ci­clo­pes, de tudo um pouco foi feito por Har­ryhau­sen para nosso deleite.

Aos mais no­vos po­derá não di­zer grande coisa. Mas aos que iam ao ci­nema nos anos 70/​80, o ví­deo acima po­derá re­lem­brar ma­ti­nées de re­tina cheia. Ray Har­ruhau­sen par­tiu on­tem, em Lon­dres, com 92 anos de idade.

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Death Grips @ semiose.netO meu fi­lho é um ávido con­su­mi­dor de hip-​hop, tal­vez um pouco por mi­nha culpa, já que fui eu quem lhe apre­sen­tou os pri­mei­ros sons do gé­nero. Já eu, há muito que dei­xei de es­cu­tar as ba­ti­das, sem­pre as mes­mas, e as pa­la­vras, sem­pre re­ci­cla­das. Para mim, o hip-​hop transformou-​se numa es­pé­cie de evan­ge­li­za­ção sabe-​se lá do quê. A mi­nha ver­dade é maior do que a tua, e o meu bairro é que é. Fica rico ou morre a tentá-​lo, e coi­sas as­sim. Nunca dei para esse pe­di­tó­rio, mas o som agradou-​me, em tem­pos. Agora, já quase não o su­porto, es­pe­ci­al­mente quando can­tado em por­tu­guês.
Mas lá sur­gem coi­sas que, de vez em quando, me en­tu­si­as­mam o su­fi­ci­ente para ir à pro­cura de mais. É o caso dos De­ath Grips, banda ca­li­for­ni­ana de Sa­cra­mento, que aposta numa fu­são de noise, punk e ou­tros, em­be­bida em be­ats e lo­ops tra­ta­dos a fumo. Apresento-​vos Guil­lo­tine, a mais acla­mada de Ex­mi­li­tary, o tra­ba­lho que em 2011 trouxe os De­ath Grips para a ribalta.

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