Saído da sociedade de consumo dos anos 50 para o futuro, Cirrus é um avanço do álbum The North Borders de Bonobo, publicado pela fabulosa Ninja Tunes.
“Papa Chico: eu costumo dizer que os portugueses já falaram espanhol há uns séculos, mas entretanto evoluíram. E isto também é uma piada.”
Tó Zé acha que se em 2020 a UE tiver cerca de 24 milhões de desempregados, tudo está dentro do esperado. E que se Portugal tiver cerca de 500 mil, tudo estará bem. E se porventura algo correr mal e algum dos países estiver acima da taxa média de 11%, o objectivo de Seguro para essa data, a UE deverá comparticipar o subsídio de desemprego. To Zé vai formoso mas não seguro, preparando-se para o seu exercício como primeiro ministro na continuidade da alternância democrática.
“OK, eu explico: esta conta do Facebook veio substituir a anterior que estava a ter muitos “problemas”. A grande diferença entre esta e a anterior é que quase tudo o que por aqui aparece é automático - exceptuando actualizações de estado, como esta, e comentários - e o que aqui aparece vai parar direitinho ao blog semiose.net. Este perfil não é, por isso, lá muito interactivo, e a maioria dos amigos, seguidores, companheiros de luta e simples inertes que estavam ligados anteriormente ainda cá não estão. Acontece que o Facebook teima em bloquear-me pedidos, porque há gentinha que, em vez de dizer que não lhe interessa nada o que eu digo, resolve dizer “não, não conheço este gajo de lado algum”, e tungas! lá vem bloqueio. Assim, não há motivos para chatices, lá porque eu ainda não me amiguei consigo. Nem por isso, nem por nada. Capice? Entretanto, poderá sempre amigar-se você comigo, que eu aceito todos os pedidos. É para isso que o Facebook existe. Grato pela compreensão, espero ter contribuído para o cabal esclarecimento da sua consumição.”
“Resolvi socorrer-me da coluna que o João Pinto e Castro escrevia para o Negócios. Raramente concordava com ele. Mas, uma coisa era certa: podia contar com a seriedade do JPC, com factos e com debate de ideias. Ler o João ajudava-me a pensar. Foi assim, primeiro na blogosfera e, mais tarde, no twitter. O JPC trazia sempre elegância. Tinha um gosto musical extraordinário, era cultíssimo e dono de uma arrogância necessária para estabelecer fronteiras.”
A linha vermelha com que seremos enforcados: “4,7 mil milhões vão ser feitos em dois anos e não em três, o FMI desmente o governo de Portugal e impõe uma dose cavalar - e insustentável - de austeridade em cima da já existente. O relatório do FMI é a sentença de morte do Estado social, é uma ordem de destruição da classe média, a implosão do funcionalismo público e um ataque sem precedentes aos reformados do Estado que sustentam neste momento os filhos desempregados. Tudo isto vai agravar ainda mais os níveis de desemprego e levar o que resta da economia para o poço. Infelizmente, para o FMI essa recessão é bem-vinda - porque ajuda a equilibrar a balança de pagamentos. Quanto aos efeitos colaterais, como a destruição da economia - não só nacional como europeia - e o desemprego em massa são habilidosamente esquecidos neste relatório.” Quando for tarde demais, virão confessar mais um engano.
Digo "profundês" porque não consigo encontrar melhor tradução para "Deepities", o termo usado por Daniel Dennet, filósofo e centista da cognição americano e um dos maiores pensadores dos nossos tempos. É em "Intuition Pumps and Other Tools for Thinking" que Dennet apresenta o conceito: trata-se nada mais do que aquele tipo de linguagem que dá para tudo e para o seu oposto, aquele tipo de expressões "zen" que gurus e políticos, videntes e vigaristas, marketeiros e engatatões usam para manietar um juízo perfeito, socorrendo-se de uma pseudo-poesia pseudo-filosófica. Uma espécie de cientismo, mas da linguagem.
Anda muito em voga, por aí. Talvez porque hoje, como nunca, as pessoas necessitem de respostas a perguntas que, na voragem da vida, se transformem em algo transcendente mas que, bem vistas as coisas, são bem simples. Ou talvez porque cada um de nós se sinta na obrigação de ter opinião sobre tudo, mesmo sobre aquilo que não conhece. Ou talvez ainda porque somos simplesmente assim, simples, e gostemos de escutar palavras que ressoam profundas e dão para todas as ocasiões, para que não tenhamos que escolher uma verdade. Sim, "o Amor é apenas uma palavra", e "palavra" é apenas uma "palavra". "O Amor não se encontra no dicionário", e assim ficamos com uma deepity bem metida: verdadeira, profunda, ambígua e trivial. OK?
Acima, está o vídeo acerca das deepities. Aqui está o vídeo completo, com cerca de uma hora de prazer.
Conhecendo o Governo como o conheço, poderemos estar a abrir um grave precedente: o de julgamentos e condenações que, à falta de dinheiro do condenado, passarão a ser pagos por subscrição pública - ou pior: mais um imposto para pagamento de penas, coimas e contra-ordenações em contencioso…
Há gente que não entende como é possível alguém, nos tempos que correm, gostar ainda dos Pink Floyd. Bom, o vídeo abaixo justifica parte desse gosto. O resto, é preciso ir ainda mais atrás no tempo para descobrir.
“Dar sangue é dar vida”, dizia o slogan de forma eficaz. Poucas verdades são mais verdadeiras. Já dei sangue e apenas o facto de um dia ter chegado a minha vez de o receber me impediu de continuar a dá-lo. Outros em minha casa já o receberam também. Gosto de pensar que alguém no mundo há-de estar tão grato pelo meu sangue como nós estamos pelo que recebemos. Porque dar sangue é dar vida, realmente. E não custa nada.
O Mercado do Bom Sucesso vai continuar a ter bróculos, mas gourmet. E sardinhas, só que em lata. Acabaram-se aquelas coisas de banca armada no centro da Boavista. Andávamos a gastar acima das nossas possibilidades.
Eis a altura em que penso que esta coisa dos blogs está realmente muito mal entregue. Isto é só opinadores sobre tudo e sobre nada, especialmente sobre coisa alguma. Enfim, foi bonita a festa, pá.
Chegados a uma loja, ou a uma oficina, ou a uma seguradora, e sendo mal atendidos após a demora quase perpétua, pensamos “a gente desta loja/oficina/mediadora é absolutamente incompetente” ou “esta pessoa que me atendeu não nasceu para isto”. Mas chegados a uma repartição pública, e tendo os mesmos resultados, pensamos “isto de funcionários públicos é sempre a mesma coisa”. A bom ver, os funcionários públicos sofrem do mesmo estigma que os bancários, por exemplo. São agentes do poder quase intocável e que, por isso, interferem quotidianamente nas nossas vidas, sem apelo ou agravo que nos auxilie. Mas uns e outros partilham algo com o que é já uma imensa minoria em Portugal: são trabalhadores. E existe uma agravante, no caso dos funcionários públicos - eles são o laboratório do que há de chegar ao privado. E caso não chegue esta argumentação, pensemos por um momento que todos eles são tão humanos como nós, seres supostamente privados. O artigo do Público é esclarecedor: os cortes estão aí, e há números para todas as parcelas. Como sempre, será no empréstimo que fazemos ao estado, confiando nele, que o roubo se verificará. Mas não só. Há números, muitos. Mais dos que consigo entender a esta hora. E todos eles se justificam na divisão de um Povo. “Eles”, os funcionários públicos, contra “nós”, os supostamente privados. Privados ficaremos todos. Que ninguém pense que já batemos no fundo.
Confesso: sou um cliente Apple. Um dos motivos que me leva a comprar produtos da marca é o facto de não ser necessário, como em outras, andar “em cima do acontecimento” - embora grande parte dos clientes da marca o faça, tão desnecessariamente - já que, por exemplo, o meu “velhinho” MacBook Pro ainda cá anda de perfeita saúde após uns bons cinco ou seis anos de serviço e uns quantos tombos, e o iPhone 4 da minha mulher continuar a cumprir a função que lhe foi destinada. A minha única desilusão foi mesmo o iPad: não gosto. Um outro motivo é o design. Este video promocional encara o design de uma forma muito aproximada ao meu ideal. Não falo, claro, do processo em si, já que não sou profissional da área, mas sim do objecto e do objectivo de um bom design. Fica link para o vídeo e uma explicação do assunto.
Desmond Morris, em “O Macaco Nu”, refere que o riso se trata de um dramatismo: uma indicação de um perigo que sabemos não ser real. É um acto social que pretende que a brincadeira continue, enviando sinais amistosos, de confiança. Ao contrário do choro, sinal de desconforto e procura da mama da mãe, o riso é indicador do espírito de exploração do e de ultrapassagem dos próprios limites. Os chimpanzés também riem, e o seu riso é uma curiosa mistura de medo e felicidade: contraem os lábios para a frente (felicidade) ao mesmo tempo que os retraem e mostram os dentes (medo), transformando o habitual som gutural numa espécie de gargalhada sardónica bem conhecida, muitas vezes tapando a cara com a mão. Só na fase adulta o chimpanzé se torna mais sério. O homem, pelo contrário, não perde a habilidade do riso, e prolonga-a durante toda a sua vida, como importante arma social que é: avisa o potencial adversário de que estamos ali para brincar. Como diria Morris, “Rir é um duplo insulto, porque indica ao outro que ele é assustadoramente esquisito e, ao mesmo tempo, que não vale a pena levá-lo a sério.”
Gaspar está certo, ainda mais certo que o Borda d’Água que lhe serviu de inspiração. Nós (e o Álvaro) é que não lhe damos o merecido valor. Um destes dias, a crise há-de nos chegar do Espaço. E não haverá Star Trek mais dark do que esse. Apresento-vos o Carrington Event.
So ya thought ya might like to go to the show to feel the warm thrill of confusion, that space cadet glow. I've got some bad news for you sunshine -- Pink isn't well he stayed back at the hotel and they sent us along as a surrogate band, and we're going to find out where you fans really stand: Are there any queers in the theatre tonight? -Get 'em up against the wall. Now that one in the spotlight, he don't look right to me. -Get him up against the wall. That one looks Jewish and that one's a coon. Who let all this riff raff into the room? There's one smoking a joint and another with spots… If I had my way I'd have all of you shot!
Run, run, run, run You better make your face up in your favourite disguise, with your button down lips and your roller blind eyes, with your empty smile and your hungry heart feel the bile rising from your guilty past. With your nerves in tatters when the cockleshell shatters and the hammers batter down the door… You better run Run, run, run, run You better run all day and run all night, and keep your dirty feelings deep inside. And if your takin' your girlfriend out tonight you better park the car well out of sight, 'cos if they catch you in the back seat trying to pick her locks they're gonna send you back to mother in a cardboard box… You better run
Ah… como isto me é familiar. Tudo, mas tudo o que o mundo moderno nos impinge, vem de um powerpoint folclórico e mal enjorcado. Já vi muito disto.
Yannis Behrakis, fotógrafo da Reuters em Atenas, andou semanas à cata dos sem-abrigo da capital grega. Um documento imperdível, quem sabe, do futuro português.
Da desobediência institucional na Junta de Campolide legitimada pela desobediência do Governo às indicações do Tribunal Constitucional.