Voz

18.Mai.2012


Quando era miúdo falava com a voz do Antó­nio Sér­gio e can­tava com a voz de Peter, Gabriel ou Ham­mill. Mas isso era só na minha cabeça.
Agora escrevo com a voz do Fer­nando Alves.

Dictaphone

Quando era miúdo, nas pou­cas opor­tu­ni­da­des que tive de falar com um micro­fone frente a mim, a minha voz era a de Antó­nio Sér­gio. Quando can­tava em noi­tes de fumo na praia, a minha voz era a de Peter, uma vezes Gabriel, outras vezes Ham­mill. Claro que isto acon­te­cia somente na minha cabeça, e ape­nas os meus ouvi­dos escu­ta­vam os neu­ró­nios que os encan­ta­vam.
Agora, escrevo com a voz do Fer­nando Alves. E tam­bém aqui o resul­tado final é muito mais ridí­culo do que a minha per­cep­ção me ofe­rece.
Enfim, o meu cére­bro é um tur­bi­lhão de sereias cuja voz é melhor do que a rea­li­dade. Dizem-me «Escreve, isto é mais trans­pi­ra­ção do que ins­pi­ra­ção, e o que inte­ressa é o con­teúdo e não a forma». Pois sim. Eu quero lá saber do con­teúdo! O que eu quero é a voz, ter a voz com que escre­ver o que na mai­o­ria das vezes não digo falando.
Mas falta-me o tim­bre, falta-me a cadên­cia, a ênfase da sílaba tónica, o sus­pen­der de uma vír­gula. Um dia que saiba escre­ver assim, garanto-vos que não que­re­reis escu­tar outra coisa.

10 anos de EvoBus Portugal

18.Mai.2012


Ama­nhã, dia 19 de Maio, a Evo­Bus Por­tu­gal come­mo­rará o seu décimo ani­ver­sá­rio. Durante sete dos seus dez anos de exis­tên­cia, a Evo­Bus acolheu-me no seu seio. Como tal, o que aqui digo é sen­tido e sem mar­gem para dúvi­das da minha sinceridade.

Ama­nhã, dia 19 de Maio, a Evo­Bus Por­tu­gal come­mo­rará o seu décimo ani­ver­sá­rio. Admi­nis­tra­ção, cola­bo­ra­do­res, cli­en­tes e ami­gos juntar-se-ão «em local a anun­ciar no cen­tro do País» (o anún­cio vai ser feito num local no cen­tro do país? — web­site ace­dido hoje, às 15:10h e a festa é ama­nhã). O evento come­mo­ra­tivo, se cor­rer como cor­reu o do quinto ani­ver­sá­rio, será algo digno de nota e a recor­dar por todos os que lá estiveram.

Durante sete dos seus dez anos de exis­tên­cia, a Evo­Bus acolheu-me no seu seio. Como tal, o que direi de seguida é sen­tido e sem mar­gem para dúvi­das da minha sinceridade.

Moi @ Ulm

Quero, antes de mais, enviar os meus para­béns a todos os tra­ba­lha­do­res da empresa. Conhe­cendo como conheço a sua grande mai­o­ria, devo dizer que pou­cas empre­sas pos­suem uma equipa de tra­ba­lho de tão ele­vado nível. Ven­das, após-venda e finan­ceira são as três equi­pas de homens e mulhe­res que assu­mem as mais vari­a­das tare­fas, cada vez em maior número, cada vez mais exi­gen­tes, de forma diá­ria e sem­pre com um sor­riso nos lábios.

São gente de tra­ba­lho, que bata­lha nas mais vari­a­das fren­tes, assu­mindo a sua mis­são de frente e de bra­ços aber­tos e fazendo a empresa andar em frente, mau grado a este­ri­li­dade estra­té­gica em que vivem, que não é da sua res­pon­sa­bi­li­dade. A todos desejo as mai­o­res feli­ci­da­des, e agra­deço do fundo do cora­ção a sua cama­ra­da­gem e amizade:

Car­los Morais e Pedro Bar­bosa (Ser­viço de Peças); Antó­nio Rodri­gues, Luís Pereira, José Cer­queira, Mário Ribeiro, Rui Manata e Samuel Cor­reia (Ser­viço de Assis­tên­cia / For­ma­ção / Móvel), João Mota (no Dubai); Adri­ana Maria (Back-office / For­ma­ção), Milene Filipe (Rede de Ser­viço); Paula Alves (Secre­ta­ri­ado); João Men­des, Filipa Hen­ri­ques e Sofia Nunes (Finan­ceira); e Álvaro Pereira, Amé­rico Blanco, Eugé­nio Fur­tado (Ven­das), para além dos cole­gas da Mercedes-Benz Por­tu­gal com quem tive o pra­zer de privar.

Natu­ral­mente desejo exten­der os cum­pri­men­tos e agra­de­ci­men­tos pela opor­tu­ni­dade que me deram aos admi­nis­tra­do­res e direc­to­res que, na altura das difi­cul­da­des, trou­xe­ram a Evo­Bus do zero abso­luto ao que ela é hoje, cola­bo­rando acti­va­mente e poten­ci­ando a auto­no­mia e cri­a­ti­vi­dade, e assu­mindo o seu papel estra­té­gico e de ges­tão, tanto em Por­tu­gal como na Ale­ma­nha e Espanha:

Andres Lyth­goe (Pre­si­dente Exe­cu­tivo); Jörg Nühr­mann (Direc­tor Após-Venda); Telmo Roba­lino (Direc­tor Comer­cial); Rudolf Scha­den­ber­ger (Direc­tor Mer­cado Externo DE); Mar­tin Grü­ber (Direc­tor Após-Venda ES), Clau­dio Sied­mann (Ser­viço de Peças DE)

Deixo tam­bém ficar um agra­de­ci­mento espe­cial e votos de feli­ci­da­des a todos os Cli­en­tes e Ofi­ci­nas Auto­ri­za­das que me “atu­ra­ram” ao longo des­tes sete anos.

Por fim, um abraço de sau­da­des aos que, como eu, não esta­rão pre­sen­tes na festa, ape­sar do que deram à empresa: Daniel (Gin­jas), Céu, Mafalda, Vasco, Ser­ras… e a todos os outros que possa estar a esque­cer momentaneamente.

A todos acima, o meu abraço e reno­va­dos dese­jos de feli­ci­da­des.
Até um dia.

Baldessari

17.Mai.2012


I will not make any boring art

Dots

“A Brief Story of John Bal­des­sari” é um docu­men­tá­rio que con­densa a vida do artista em menos de seis minu­tos, numa suces­são de recor­tes com a voz de fundo empres­tada por Tom Waits, uma exi­gên­cia de Bal­des­sari para a fei­tura do tra­ba­lho. «Tom Waits pro­nun­cia as pala­vras da mesma maneira que os cães esca­vam a terra, e ouvi-lo ler o script é sim­ples­mente uma feli­ci­dade», diz Russ Fis­cher. E eu dou-lhe razão. «I will not make any boring art» foi John Bal­des­sari quem o disse. E teve razão.

Petas

17.Mai.2012


Ses­senta por cento dos adul­tos não con­se­guem ter uma con­versa de dez minu­tos sem men­ti­rem pelo menos uma vez. Qual é a novidade?

Todos mentimos

Dizem os estu­di­o­sos que as pis­tas não-verbais são reve­la­do­ras, uma vez que os men­ti­ro­sos não ensaiam os ges­tos, mas ape­nas as pala­vras.
Imo­bi­li­zam a parte supe­rior do corpo, olham para baixo regu­lar­mente, bai­xam o tom de voz, abran­dam o ritmo res­pi­ra­tó­rio e pis­cam pouco os olhos, e exi­bem alí­vio quando a entre­vista acaba. Mui­tas vezes os entre­vis­ta­do­res aca­bam a con­versa pre­ma­tu­ra­mente ape­nas para obser­va­rem esses sin­to­mas — essa mudança de pos­tura e rela­xa­mento.
Tome aten­ção à ciên­cia e não aos mitos: é comum pen­sar­mos que um men­ti­roso não nos olha nos olhos, mas a ver­dade é que uma pes­soa honesta ape­nas nos enfrenta o olhar durante cerca de 60 por cento do tempo.

Mas, por outro lado, de acordo com um estudo da Uni­ver­si­dade do Mas­sa­chus­sets levado a cabo em 2002, 60 por cento dos adul­tos não con­se­guem ter uma con­versa de dez minu­tos sem men­ti­rem pelo menos uma vez. Mas mesmo esse número faz as coi­sas pare­ce­rem melhor do que são na rea­li­dade: os obser­va­dos nesse estudo na rea­li­dade men­ti­ram uma média de três vezes durante a sua breve con­versa.
Por esta altura deve estar a encos­tar o seu corpo ao espal­dar da cadeira, insis­tindo que faz parte dos 40 por cento que não mente. Isso é o que os men­ti­ro­sos do estudo tam­bém pen­sa­vam. No entanto, ao obser­va­rem as gra­va­ções das con­ver­sas, fica­ram cho­ca­dos com a quan­ti­dade de petas que disseram.

Andrew Sullivan

Communicare

16.Mai.2012


Como espe­ra­mos cada vez mais da tec­no­lo­gia, espe­ra­mos menos uns dos outros?

Sherry Turkle: Ligados mas sós?
The fee­ling that ‘no one is lis­te­ning to me’ make us want to spend time with machi­nes that seem to care about us.

Como espe­ra­mos cada vez mais da tec­no­lo­gia, espe­ra­mos menos uns dos outros? Sherry Tur­kle estuda como os nos­sos dis­po­si­ti­vos e per­so­na­li­da­des vir­tu­ais estão a rede­fi­nir a liga­ção e comu­ni­ca­ção humana — e pede-nos para refle­tir­mos sobre que tipo de liga­ções novas é que que­re­mos. Cli­que na ima­gem para ace­der ao vídeo da con­fe­rên­cia TED.

Manifesto para uma Esquerda Livre

15.Mai.2012


Uma Esquerda mais livre, Um Por­tu­gal mais igual, Uma Europa mais Fraterna.

Manifesto para uma Esquerda Livre

Esta é uma ini­ci­a­tiva polí­tica de pes­soas livres, uni­das pelos ide­ais da esquerda e pela prá­tica demo­crá­tica. Aberta a todos os cida­dãos, com ou sem par­tido. Acre­di­ta­mos que ape­nas a expres­são de uma forte von­tade cívica, por parte de cada um de nós, poderá dar a res­posta ade­quada aos pro­ble­mas do nosso tempo. … ver “Mani­festo para uma Esquerda Livre” »

Templos e Tapas

14.Mai.2012


Se é para andar a pé dias a fio, pre­firo ir a San­ti­ago de Com­pos­tela, que o cami­nho é mais bonito, a cidade é bela, e o tem­plo é mag­ní­fico. Para além disso, há lá bares de tapas muito bons.

Deus

Pes­soas como eu, que se con­si­de­ram ateias, ten­dem a tornar-se mais tole­ran­tes e, por vezes, per­meá­veis às mani­fes­ta­ções reli­gi­o­sas. Creio que tal será facil­mente expli­cá­vel pela tomada de cons­ci­ên­cia da cada vez mais pró­xima morte («Son wat­ches his father scan the obi­tu­ary column in search of absent school fri­ends», terá escrito um ins­pi­rado Fish), a par de uma tor­tu­ra­dora ideia de fim gra­tuito, sem objec­tivo que não seja o de aca­bar, o da ter­rí­vel não-existência, a pro­vo­car a per­gunta «Mas para quê, afi­nal, tudo isto?», seguida de uma ténue espe­rança de que «Isto não pode aca­bar assim, deve exis­tir algo mais». Afi­nal de con­tas, somos huma­nos, ateus e cren­tes, e cada um de nós pro­fessa, à sua maneira, uma fé.
Claro que a ques­tão de fé é dife­rente con­so­ante nos colo­que­mos de um ou de outro lado da bar­ri­cada, e é essa mesma dife­rença que dá, tan­tas vezes, azo às mais diver­sas for­mas de falá­cias. Dizer, por exem­plo, que «A ausên­cia de prova não faz prova da ausên­cia» é, mui­tas das vezes, invo­cada como teo­ria raci­o­nal para a exis­tên­cia de uma divin­dade. Com efeito, qual de nós poderá pro­var a não exis­tên­cia de um deus? Res­pon­der a uma falá­cia des­tas resulta fre­quen­te­mente num des­per­dí­cio de ener­gia. É extre­ma­mente difí­cil dis­cu­tir com um crente, pre­ci­sa­mente por­que ele, ao con­trá­rio de mim, pos­sui uma fé ina­ba­lá­vel, longe do mundo físico e das leis que o regu­lam. E como «A fé move mon­ta­nhas», em casos como o meu, de cul­tura insu­fi­ci­ente para uma argu­men­ta­ção ple­na­mente raci­o­nal em rela­ção ao objecto — a exis­tên­cia de uma divin­dade — a coisa torna-se uma arma­di­lha. Não rara­mente sinto-me enre­dado na minha pró­pria argu­men­ta­ção pois, ao não con­se­guir desen­vol­ver uma teo­ria raci­o­nal, com pro­vas empí­ri­cas, caio na arma­di­lha de, tam­bém eu, pas­sar a argu­men­tar ape­nas a minha fé no raci­o­na­lismo e no ateísmo.
Na ver­dade, fácil é ter fé. Não a ter, pelo menos em divin­da­des que se imis­cuem nos nos­sos assun­tos mor­tais, é que é difí­cil. E essa difi­cul­dade nota-se ainda mais em perío­dos de intensa pro­va­ção. Supo­nho que, por algum motivo cul­tu­ral ou mesmo gené­tico, seja mesmo pos­sí­vel que a huma­ni­dade esteja “pro­gra­mada” para ser um ani­mal de fé. A nossa cons­ci­ên­cia da mor­ta­li­dade assim o parece exi­gir. … ver “Tem­plos e Tapas” »





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